Em Março de 2017 realizámos uma mini-entrevista aos Prayers of Sanity para ser publicada na revista Ultraje. Muito simpáticos, responderam à entrevista, com a mensagem "Boas Laughbanging, Desculpem lá a demora na resposta. Temos tido umas semanas complicadas." Mas devido a motivos de origem variada, nomeadamente coisas e em particular cenas, a publicação não chegou a acontecer. Ao mexer no nosso baú metálico, encontrámos a entrevista e que vamos agora partilhar convosco, dirigindo-nos à banda com a mensagem "Boas Prayers of Sanity, Desculpem lá a demora na publicação. Temos tido uns anos complicados."
Sendo vocês do Algarve, como é viver com a pressão de fazer melhor que os Iris?
É um drama diário. Super angustiante. Há os deuses no céu e há os Iris na terra... Basicamente é isso. Temos que viver com isso para o resto das nossas vidas. Na verdade, o nosso maior sonho é termos os Iris a fazer uma versão de um tema nosso mas com um refrão do tipo: “ajogua-me pó ar e diz que já cá na andas!” ou algo assim...
Ensaiar, ir à praia e beber uma cerveja na esplanada. Quantas vezes é que só vos apeteceu fazer as duas últimas opções e borrifarem-se para a primeira?
Nós temos uma percentagem de cerca de 60% de marcações de ensaios que não acabam em deboche, cerveja e rebolanços na areia. O nosso objectivo até 2020 é chegarmos aos 65%.
Fazem parte do cartaz do Moita Metal Fest onde vão tocar no mesmo palco que Sodom e Napalm Death. Estão a pensar no que hão-de conversar quando os encontrarem ou simplesmente irão oferecer-lhes Doces de Amêndoa, Medronho e Dom Rodrigos?
A ideia é apanhar um deles e pregar-lhe uma grande seca. Ninguém se esquece de um gajo que passa uma noite inteira a falar da migração das cotovias ou por que raio os gatos pardos deixaram de rebolar como antigamente. Na via das dúvidas e se isso não resultar, levamos um CD de Iris, eles de certeza que vão curtir.
Os vossos pais ainda "rezam por sanidade" quando ouvem a vossa música?
Os nossos pais não houvem a nossa música. Eles são todos do Drone e da cena noise Lituana. De vez em quando ainda frequentam umas raves ali na Mata de Barão... e isto né nada!
Ficamos sempre surpresos quando
descobrimos uma boa banda de Black Metal portuguesa. É que num país
com tanto sol e mar, devíamos ter mais bandas de Reggae do que de
metal negro, preto ou de cor (escolham consoante o vosso nível de
sensibilidade ao politicamente correcto). Falámos com o Melkor de
Culto Macabro para tentar perceber melhor o porquê. Não
conseguimos.
Compões as músicas, tocas todos
os instrumentos, gravas e produzes. Com o pouco tempo que tens livre,
quando pensas em cortar o cabelo?
Boas. Nem tempo para isso. Ele vai
caindo aos poucos, aliás, já começo a ficar com o "boné
roto". São 1001 projectos, vida pessoal, álcool e ainda mais
projectos nos quais ando a pesquisar e a experimentar finalmente o
Doom e cortar os pulsos. É um estilo "engraçado", por
enquanto ando a fazer covers mas de futuro farei um projecto de Metal
Alentejano a cortar-me todo enquanto durmo.
Qual achas ser o pior Culto
Macabro: a religião, o futebol ou as reuniões Tupperware?
O pior Culto Macabro é o verdadeiro
Culto Macabro composto e gravado em uma semana. O futebol só serve
para mandar umas cervejas abaixo e as reuniões Tupperware são na
verdade o melhor disto tudo em que servem de desculpa para um
grupinho se reunir e ver a melhor forma de guardar as pizzas no
Frederico à espera de outra garrafa de Jack Daniels.
Quando um dia fores tocar num
desses programas da tarde da tv, que apresentador(a) gostarias que te
anunciasse e fosse falar contigo?
Não sei, estou indeciso entre o
Goucha e a Teresa Guilherme. Mas para escolher a Teresa Guilherme,
vou optar antes por um cavalo pura raça Lusitana, fará o mesmo
efeito. Talvez o convide para um dueto para outro projecto. Também
estava a pensar convidar o Cláudio Ramos para um projecto de Power
Metal, acho que ele não teria qualquer problema em vestir umas
cuecas de cabedal apertadas e mandar uns berros.
Maria Leal nos Nightwish.
Comenta:
Seria a escolha acertada. É um
bicho bastante completo, sabe dançar, "canta" umas merdas,
tem um frontispício que mais parece uma pedra da calçada a chorar e
é bastante conhecida em Portugal. Acho que Nightwish precisa de
conquistar novamente o publico Português, pois o pimba anda nas ruas
da amargura desde que o Zé Cabra desapareceu. E para além disso...
(Artigo publicado na revista Ultraje #7 - Novembro / Dezembro 2016)
Mata-Ratos, pá! Mãe, olha para mim a entrevistar aquela banda que odiavas! Se depois disto a Ultraje nos der a hipótese de entrevistar os Peste & Sida e o João Ribas (é só descobrir uma taróloga que tenha o número dele no Além), podemos morrer felizes. Mata-Ratos, pá!
Quantas vezes vocês foram expulsos de um bar?
Esta semana? Não há nenhum bar em que tenha entrado sem sofrer imediata expulsão. Na verdade já perdemos a conta dos cartões vermelhos etílicos e pensei mesmo criar um cartão de ponto para conseguirmos fazer a estatística da coisa. Acho que aquelas placas de proibido - com o desenho do que parece um cão - nos são destinadas, os gajos que se dedicam á arte da placa não sabem desenhar um infame em condições. Já agora o Real Sport Clube Massamá tem uma claque de malta mal comportada que se chama «Expulsos do Bar»
Miguel, tu que já passaste por tanta coisa em mais de 30 anos de carreira, que sonhos vês nas bandas que estão agora a começar e que gostavas de destruir?
Destruía o sonho de pensarem que a vossa banda alguma vez será um pedacinho melhor do que a ‘banda um pouco pior do que a merda’. Esqueçam, esse titulo é vosso para toda a eternidade.
Lá em casa tenho os CDs organizados por ordem alfabética. Resultado: o “Rock Radioactivo” está junto ao “Kings of Metal” de Manowar. Vêem alguma relação?
Aparentemente se há relação possível não será entre os peitos lisos e musculosos dos monarcas do metal e a barba taliban do Chico. A licra também não é o nosso forte, nem os solos épicos. Mas há quem nos ache uns bárbaros…pode ser por ai.
Além de um Tsunami de Cerveja, que outros desastres naturais gostarias que acontecessem?
Sem dúvida que, para partir em folia, se impunha desde logo um maremoto de Medronho ou uma avalanche de Caipirinhas. Desde que envolva álcool parece-me natural que termine em desastre.
(Artigo publicado na revista Ultraje #6 - Setembro / Outubro 2016)
Se vos pedirmos para nos dizerem bandas de Thrash Metal brasileiras, provavelmente os primeiros nomes que vos vêm à cabeça são Sepultura, Sarcófago... Mas, e se vos dissermos que existe uma banda de Thrash Metal brasileira que não tem nome de caixão? E que são só mulheres? Vá lá! Não fiquem nervosos. Apresentamos-vos as Nervosa.
Qual o apelido/alcunha mais engraçado que vocês já receberam? Nós apelidámos vocês de as “Panicats do Thrash Metal”. Fernanda: hahahahaha Caralho, mas que puta apelido horrível, com todo respeito! hahaha Exatamente por sermos mulheres, de vez em quando aparecem uns apelidos bem esquisitos, mas nada superou esse de vocês. Espero que a moda não pegue. Haha Prika: Panicats? Nossa!...hahahaha.. acho que falta muito para sermos isso.
Acham possível algum dia virem a ter um músico masculino na banda ou só aceitam se ele fizer todos os shows de salto alto? Fernanda: Não só usando salto alto, mas precisa passar maquiagem e tocar com um absorvente no meio das pernas, aí ele vai ver que não é fácil ser mulher e tocar! hahaha Eu particularmente nunca pensei em ter um homem na banda, a proposta da banda não é essa. Nada contra os homens, não é que somos radicais, é que simplesmente somos meninas que queriam tocar com outras meninas. Prika: Salto alto não porque nem nós usamos, então não podemos exigir isso hahahaha. Eu particularmente não vejo problema de colocar um homem na banda, a proposta da banda é ser somente de mulheres, mas se não fosse possível e tivesse que colocar um homem, eu não vejo problema algum, sempre toquei com homens, pra mim é natural.
Vocês regressaram agora de uma turnê de dois meses pela Europa. Os fãs, os concertos, as coisas boas da tournée nós já sabemos quais são. O que nós queremos saber é quais as coisas más? Estórias engraçadas? Quais aquelas coisas que vocês agora olham para trás e vos fazem rir? Fernanda: Como essa tour foi um sonho que se realizou pra gente, quase não teve coisa ruim, e quando teve, a gente encarou de forma engraçada, rindo, pra não enlouquecer de ódio! haha As histórias engraçadas são mais as presepadas que a gente se meteu por causa da língua, falando coisa errada em Inglês, se comunicando (ou pelo menos tentando) totalmente por mímica na Rússia e tudo o mais! haha E toda a fase de adaptação a essa nova experiência de tour pra gente também foi engraçada. Por exemplo, a gente alternava entre ser obesa e magrela na tour, pq no começo a gente tava com medo de gastar dinheiro e deixava de almoçar em alguns dias. Daí quando a gente chegou na Espanha, a gente simplesmente comia que nem desesperada hahaha O motorista e tour manager ficava surpreso quando saía pra comer com a gente, ele falou que a gente ganhou de qualquer banda de homem que ele já fez tour em termos de comida. Depois quando chegou na Russia, a gente tinha que carregar toooooodas as nossas coisas escada acima e abaixo TODO DIA, pq todo lugar tinha escada, e eu , pra vc ter uma idéia, emagreci 4 quilos nessa brincadeira! hahaha Prika: A parte ruim era que alguns dias a gente não dormia nada, mas faz parte e a gente agüentou de boa. Uma coisa engraçada era que eu simplesmente não conseguia dormir na van, e então para passar o tempo eu tirava fotos da Fernanda e da Pitchu enquanto elas dormiam de boca aberta, e fazia umas montagens ótimas, que depois a gente quase morria de tanto dar risada.
Qual foi a sensação de dar shows mais potentes que as bandas dos homens ou, como se diz em inglês, "kick men's ass"? Fernanda: hahaha Eu não encaro dessa maneira, todas as bandas que fizeram tour com a gente eram de excelente qualidade, então ficava todo mundo no mesmo patamar. Mas tenho que admitir que era engraçado ver a reação das pessoas durante nossos shows, muitas simplesmente não conseguiam acreditar nos seus olhos, parecia que a gente era 3 ETs em cima do palco, pq pelo que me pareceu a galera não tá muito acostumada a ver mulher tocando metal extremo pela Europa, o que no Brasil já é algo bem mais comum. Prika: Eu nem parei pra pensar nisso, só me preocupei em tomar minhas cervejas e curtir com as bandas que estavam com a gente. Foi algo maravilhoso, muitas histórias e muitas amizades, isso não tem valor.
Quanto tempo demoram a passar pelo detetor de metais nos aeroportos? Fernanda: hahaha Olha, eu não passei muito tempo pq viajo parecendo uma hippie exatamente pra evitar stress na porra do aeroporto. mas as meninas são mais 'true', tinham que ficar tirando cinto, bota, e tudo o mais. Prika: Tirando o fato que eu tive que tirar quase tudo de dentro da minha mala porque eu esqueci um abridor de garrafa dentro, sempre passava rápido, mas tinha que tirar meu coturno que eu demorava uns 15 minutos pra amarrar...hahahaha
A ideia da capa do álbum "Victim of Yourself" era retratar o que o povo brasileiro deseja fazer aos políticos e assim acabar com a corrupção, ou tem outro significado? Fernanda: HAHAHA olha, eu devo admitir que com a atual situação econômica do Brasil, que está em crise, tem muita gente que gostaria de sair esfaqueando político na rua e ogando eles dentro do cemitério. Mas a gente é bem adestradinho, aceita de bom grado toda a corrupção e a merda que eles fazem a gente se submeter. Mas a capa não tem nada a ver com isso, embora as letras sejam bem anti políticos corruptos e tal. A gente só queria mostrar uma imagem bem nítida de uma pessoa sendo vítima dela mesma, sofrendo as consequências dos seus próprios atos. Prika: A minha vontade não é de dar uma facada nos políticos e sim explodi-los pra evitar que sobre algum pedaço...hahahaha.. mas brincadeiras a parte a capa são duas caveiras uma dando facada na outra que simbolizam uma mesma pessoa que é vitima de si mesmo.
Vocês criaram o gosto pela música e por tocar instrumentos musicais através dos vossos pais. O quão diferente era a ideia que eles tinham sobre o estilo de música que iam tocar? Fernanda: Da minha família , não tive nenhum problema! Isso porque tanto meu pai quanto minha mãe são headbangers tb, sempre gostaram de metal e me incentivaram muito. Eles só detestaram quando eu comecei a fazer piercing e tatuagem, achavam que eu ia ficar mais feia do que já sou! Hahaha Prika: Minha vontade de tocar veio das bandas que eu gostava, queria fazer o mesmo, meu pai apesar de tocar violão e viola ele não suportava o fato de eu tocar guitarra, ele dizia que iria estragar meu ouvido...hahaha Minha mãe apesar de curtir rock ela não gostava muito que eu tocasse não, ela queria que eu estudasse e eu era muito rebelde...hahaha.. hoje em dia é diferente.
Ainda conseguem arranjar espaço nas vossas casas para guardar as t-shirts de bandas "old-school" que têm? Fernanda: hehehe Eu já estou começando a trocar os móveis da minha casa por móveis feitos de camiseta. Vou começar a dormir em cima das minhas camisetas, a assistir TV em cima das minhas camisetas e etc. hahaha Quando eu chego num nível muito hard de quantidade de camiseta old school eu faço umas doações pra pessoas carentes aqui do Brasil. Ajudando a espalhar o metal por aí… haha Prika: Ta ficando complicado isso aí viu....hahaha... eu tenho apego emocional, não estou conseguindo doar minhas camisetas, porque eu vejo a camiseta do Death, Slayer, Exodus, etc.. todas cinzas de tanto lavar e com um monte de histórias, eu simplesmente não consigo me desfazer porque eu uso ainda!!! Todasss
Seja qual for o estilo musical, é certo que o Brasil tem excelentes músicos tocando. Por isso temos que perguntar: quais os vossos artistas/bandas "guilty pleasures"? Fernanda: Olha, aqui no Brasil, gosto mais de bandas de metal mesmo. Mas fora daqui eu tenho um monte de guilty pleasures musicais! hahaha Podem me julgar, mas adoro Beyoncé e Amy Winehouse. Tenho certeza que vou ser julgada pelos true metal, mas cara, sou cantora e amo a voz dessas mulheres, vou fazer o quê? Canto Beyoncé no chuveiro mesmo, não tô nem aí! Haha Prika: Eu não sou uma pessoa muito eclética não, além do metal eu gosto muito de blues, gosto de algumas coisas de jazz e algumas coisas do funk americano. Do Brasil gosto das bandas de rock e metal, blues e de Tim Maia, nada muito além disso.
E já agora, que artistas/bandas brasileiras vocês lamentam que o resto do mundo conheça? Bandas sertanejas? Fernanda: Olha, tem muita coisa ruim tocando nas rádios aqui, mas eu respeito a maioria, porque pelo menos eles tão fazendo música, tão fazendo arte, não tão fazendo merda, cometendo crime na rua e tudo o mais. Mas por exemplo, aquela música do tal do Michel Teló que virou um hit na Europa me envergonha um pouco por não só musicalmente, mas a letra também é a coisa mais horrorosa do mundo! haha Além disso, tem o tal do 'Funk Brasileiro', que ainda não é conhecido fora do mundo, mas que eu particularmente acho muito muito muito ruim. A batida é tenebrosa, os caras fazem com a boca, e as letras só falam merda, só putaria! haha Tomara que não vire a próxima febre mundial!!! Prika: Qualquer estilo musical que venha acompanhado da palavra “universitário”, o que significa que é um distorção da originalidade do estilo. Mas a pior vergonha do mundo é do maldito funk carioca que NADA tem de bom, é sempre uma letra horrível muitas vezes com erros de português, com uma “batida” repetida que parece que foi feita com um balde e duas latas de leite condensado que é o mesmo sampler de várias outras “músicas”, e sempre cantado pela pior e mais desafinada voz, não tem nem melodia, e a letra sempre fala de alguma putaria bem escrota, então não há nada que se salve.
Fala-se tanto sobre a morte nas músicas de metal, que é de estranhar que não haja metaleiros cangalheiros, médicos legistas, ou a profissão mais mórbida delas todas, bancário. Pelos vistos, até é mais fácil encontrar um metaleiro que faça animação, como é o caso do nosso entrevistado. Miguel Braga é o criador de muitas animações como os dvd infantis do Serafim e da série de televisão Nutri-Ventures. No campo da animação para os mais velhos, fez o videoclip "Luna" dos Moonspell, criou o Anjinho da Guarda, a 1ª série animação a passar na SIC Radical e com música dos Ramp, bem como outros projectos. Fã de metal, animação e cerveja, Miguel Braga falou com o Laughbanging.
Um indivíduo que se veste de preto e usa cabelo comprido como tu, quando diz a alguém que faz Animação, por norma, quantos minutos de riso é que se seguem?
Apenas o meu cansado, mas cordial sorriso ao ver a cara de espanto das pessoas. Do tipo: - “Isso faz-se cá em Portugal? Vives disso? Mas, mas... Ohhhh deve ser tão giroooo! Eu tenho jeito para fazer vozes, arranjas-me trabalho?”
Depois lá explico um pouco como as coisas funcionam e todos acham super giro e estranham o facto de eu não estar também super contente!
Depois tenho de explicar que é difícil viver só da animação. Esquece os sorrisos a partir daqui.
Começaste por trabalhar em Marketing & Publicidade, mas entretanto mudaste para Animação. Olhando para o teu percurso profissional, os teus pais ainda te dizem que “gostam mais do teu 1º álbum”?
Não foi propriamente trabalhar, foi o curso que tirei e uns estágios que fiz até perceber que não queria trabalhar nessa área. Os meus pais nunca disseram nada porque nunca houve nada a fazer... O melhor era estarem calados e deixar-me seguir as minhas tendências suicidas para acabar com o sofrimento o mais depressa possível.
De certo que já levaste muitas negas de patrocinadores e outras empresas que poderiam apoiar os teus projectos. Será que o nome do estúdio (Bang Bang) significa o que tu queres fazer a essas empresas?
O objectivo do nome do estúdio foi criar um nome que fosse universal, não precisasse de tradução e ficasse na memória facilmente. De resto, encaixa na perfeição no âmbito desta pergunta... A resposta é sempre Bang! Bang!
Pouco dinheiro, poucas oportunidades… Ajuda-nos - que outras semelhanças existem entre o Metal e a Animação em Portugal?
Como metaleiro e animador sou especialista nesta matéria, a única coisa que vejo em comum é emigrar daqui pra fora.
Há muito tempo atrás criaste umas animações de uma banda de thrash/death metal chamada The Killtones onde o vocalista é um cão. Como te sentes ao teres sido pioneiro em bandas de metal tendo animais como vocalistas onde só se ouve ladrar ou guinchar, como é o caso de bandas como Caninus, Hatebeak ou Cradle of Filth?
Era simplesmente mais fácil do que escrever letras e ter de lidar com posers.
Aliás, a minha tendência no metal cada vez pende mais para o grind, oui oui.
Enquanto fazias as animações para os dvds infantis como o Serafim ou os Patinhos, que banda de black metal é que pensaste que ficaria melhor para musicar aquilo?
Inquisition. A série Nutri-Ventures fala sobre nutrição. Se houvesse um episódio especial chamado Nutri-Miguel em que as sugestões seriam da tua autoria, qual seria o teu plano de nutrição?
Cerveja Belga e Gambas com maionese para começar, Morcela de Arroz e Queijo de Serpa com pão alentejano de entrada, Migas com Lagartos de Porco Preto para prato principal, tudo regado com Tintol Velho e digerido com a Aguardente Curvada de Velha (15 Anos em barril de Carvalho).
Por fim, mais Cerveja Belga para lavar a barriguinha e começar a fazer fogo para ter brasas para o jantar.
Pixar, Disney, Dreamworks… Este trio é melhor que qualquer outro trio que o Metal alguma vez produziu como Motorhead, Venom ou Sodom?
Amo a animação e o metal, para mim o ideal é conjugar os dois, trabalhar a ouvir metal!
Que história é esta dos filmes de animação de agora não só agradarem a crianças, mas também a adultos? Achas que foi uma jogada inteligente por parte do mercado, ou nós mesmos é que estamos a tentar voltar atrás porque isto de ser adulto não vai acabar bem?
Ver desenhos animados faz-nos entrar noutro mundo e esquecer a realidade, isso é bom para crianças mas muito melhor para adultos, é um anti-stress. Normalmente, os desenhos animados estão carregados de humor, e no caso dos adultos, cada vez mais se vê crítica social, como no caso dos “The Simpsons” ou “American Dad”. Para os adultos é bom, faz-nos realmente pensar em muita coisa em que se devia voltar para trás.
Quantas vezes é que paraste de animar porque estava uma imperial fresquinha a chamar-te na esplanada?
Nunca. Animar torna-se obsessivo-compulsivo e não consegues parar até acabares o momento que estiveres a fazer. O que faço, sim, é trazer a cervejinha fresquinha para cima da mesa de trabalho, principalmente naqueles dias quentes de verão, assim já não deixo a cerveja para segundo lugar. Já agora, acrescentando uma nota à questão n.º 8, animar, ouvir metal e beber cerveja são das 3 coisinhas que mais gosto de fazer na vida.... Se forem as 3 ao mesmo tempo é quase o meu ideal de vida!
Últimos comentários:
Aproveito para passar a publicidade.
Vejam o meu último trabalho, com o Exmo. Gustavo Vieira e o Exmo. Miguel Martins.
The Black Blots - Uma série de animação sobre duas manchas negras, uma boa e uma má.
Aqui fica o YouTube: https://www.youtube.com/c/TheBlackBlotsSeries
Facebook: https://www.facebook.com/theblackblots
Já estão 9 fimes online e em breve teremos o último filme desta primeira season.
Vejam os filmes e divirtam-se!
Alguns trabalhos efectuados:
Nutri-Ventures, Anjinho da Guarda, Zig Zag, Sotão Mágico, The Black Blots, Killtoons, Cristiano, Os Patinhos, Serafim, "Luna" (Moonspell), ...
Comme Restus, Kalashnikov, Homens da Luta, Noidz... Ivo Conceição é o Jorge Mendes do metal! Ultimamente tem andado a aterrorizar Portugal de norte a sul com os Quinteto Explosivo, o que é só mais um motivo para libertarmos o Daniel Oliveira que há em nós e lhe perguntarmos o que dizem os seus olhos.
Aqui vai a conversa que tivemos com o jovem atarefado e multifacetado Ivo Conceição.
Começaste a estudar piano no Conservatório Regional de Setúbal ainda criança. Quão orgulhosos estão os teus professores ao verem o resultado do que alcançaste em termos de música, bandas e as temáticas abordadas por elas?
Sim, formei-me em piano e guitarra no Conservatório de Setúbal, mas a única razão para lá ter estado era a minha professora de piano, boa como o milho. Os meus professores sentem um orgulho extremo em mim, na altura (1999) lembro-me de ter chegado a uma aula de guitarra e tocar o “Ars Moriendi” de Mr Bungle e um professor me dizer: “O QUE É ESSA MERDA? NÃO SE TOCA ASSIM”. E foi aí que fiz um “click”, percebi que devia ter ficado no Vitória Futebol Clube à baliza, como estive. Hoje provavelmente estaria no Real Madrid, ou melhor.
Em 2009 começaste a estudar Marketing, Relações Públicas e Publicidade. Depois em 2010 criaste a banda Felattio. Há aqui alguma relação ou foi coincidência?
De facto essa foi a minha segunda licenciatura, numa altura em que conjugava cargo na Sony Music Entertainment Portugal e estava com Homens da Luta em simultâneo. Senti a necessidade de tirar duas licenciaturas para colmatar a do José Sócrates, agora alguém vai ter que tirar mais uma para colmatar a do Dr Miguel Relvas, e assim sucessivamente. Os Felattio são uma boa surpresa, provavelmente das bandas mais fixes que tive. É quase tudo cabeça do Renato Sousa (Ash is a Robot), um génio Sadino, tenho um orgulho extremo naquele disco, e por coincidência ainda há dias passou na SuperFM! Durante esta licenciatura, não tive esta experiência de Felattio, estava demasiado ocupado a dormir nas aulas e a comer no Mac da 2ª circular com o cheiro a gasolina de avião.
Em Gestão, diz-se que uma empresa atingiu o break-even quando os ganhos igualam os custos. Sendo tu músico, achas que ainda estarás vivo quando isso acontecer?
Eu sou muito organizadinho nessas coisas. Felizmente tenho a felicidade de ter o BEP sempre em dia, e mais, posso-me orgulhar e dizer que já vivi aka ganhei bastante dinheiro com a “música”, seja com as minhas bandas, seja a editar, seja a produzir videoclips, tv specials (Aurea, entre outros). Claro que há uma gestão cuidadosa, não sou o típico rockstar ou “artista”, eu não bebo álcool, não tomo drogas, mas faço o resto sim. Portanto poupo imenso dinheiro. Sou um betinho na realidade, um betinho punk que gosta de black metal! Tenho tido também a sorte de ter estado no sítio certo, na altura certa, à custa de muito trabalho, directas, esforço, extra miles todos os dias, de ter encontrado pessoas incríveis pelo caminho que me ajudaram a crescer, a trabalhar mais, a falhar, a ganhar, a tentar de novo. Bonito, hein?
Chegaste a aparecer num artigo do DN onde foste apelidado, entre outros jovens, de "Mente Brilhante na casa dos 20". De facto, arranjar um lugar como teclista nos Holocausto Canibal só pode ter vindo de uma mente brilhante. Há outros planos deste género no futuro?
Eles devem-se ter enganado, ou então a senhora gostava muito de mim... Mas é verdade, esse artigo saiu no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias, numa fase de trabalho intenso de 10 anos, com muita coisa feita, a ser feita e planeada. Vale o que vale, gajas não me trouxe, nem uma! A experiência de teclista em Holocausto Canibal, veio pelas influências de Bach e Mozart na banda. Eles devem tudo a mim, vão agora aos EUA e afins, tudo porque eu estive lá a fazer essas obras. Há planos claro, sempre, a malta é de mente aberta (felizmente) e eu sou um idiota, volta e meia fazemos algo, nem que seja gozar com fotos no Facebook (nossas) (deles).
Depois do clássico de Comme Restus “Morte aos Ciquelistas”, e atendendo à polémica que por aí anda, para quando um “Morte aos Taxistas”?
Se calhar os taxistas são boas pessoas, mas ao contrário. Eu sou mais adepto de faixas como “Cona-se”, “Cantiflas a cagar no deserto”, “Viva os jovens”, “Cavaco Silva”, “Come agora ou depois já não”, “Autoclismo”, e assim sucessivamente. ISIS, Síria, Estado Islâmico… Consegues ver as notícias sem te lembrares de Kalashnikov?
Infelizmente, não. Kalashnikov (a banda) é das recordações mais queridas que guardo. Antes de haver Facebook, fizemos tanta coisa... Fomos aos EUA tocar, abrimos o Coliseu para Moonspell, abrimos para Rage Against the Machine no ALIVE, enchemos salas em LX, no país inteiro de norte a sul, fizemos o circuito das Queimas e Recepções aos desempregados (antes da praga DJ), e era mesmo um job a full-time com o “Vai Tudo Abaixo” para mim na altura, eu acumulava em Kalashnikov funções de guitarrista, booker, road-manager, comunicação web, entre outros. Kalashnikov é um sketch de televisão, uma sátira, muito boa, na altura pensava que “daqui a 10 anos, isto não faz sentido”, e faz cada vez mais... Enquanto espécie propagámo-nos e tal, mas falhámos redondamente, a vida humana vale menos que um litro de petróleo na maior parte do planeta. Ainda assim espero que Kalashnikov tenha alertado e divertido muita gente, como a mim o fez. Alertado no sentido de que há guerras em todo o planeta, AGORA.
As letras de Quinteto Explosivo são um tanto ou quanto polémicas, digamos assim. Isso já vos deu alguns problemas ou as pessoas até se identificam com as problemáticas levantadas nos temas “Queres Caralho, Vai ao Talho”, “Cona, Cona, Cona, Cona, Cona” ou “Goucha”?
Sim e não. Curtiram? Sim, porque quem gosta de nós, ama-nos. Quem não gosta, é por razões extra-música, pelos namorados terem posters nossos nas paredes do quarto e afins. Temos a felicidade de estar há 11 meses quase em tour em Portugal, a tocar por todo o lado, festivais, maiores salas das cidades, sempre cheios, a fazer um circuito rock, pop, metal, mix, tudo... Mas sim, já nos foram fechadas portas por causa das letras, o que à partida nós sabíamos, mas tenho a certeza absoluta que outras se abriram por causa das mesmas. O mundo é assim, é dos jovens.
Estar muito tempo vestido com aquele fato nos Quinteto Explosivo não deve ser fácil. Já alguma vez fizeste algo explosivo lá dentro mas tiveste de aguentar o seu aroma até ao fim do concerto?
O único inconveniente que os fatos têm, são as tentativas das milhares de fãs de tentarem abusar de nós sexualmente em todo o lado... Afinal, foi para isto que se fez o 25 de Abril.
Como se sente a tua companheira ao verificar que ocupas mais espaço no guarda-fatos com as tuas roupas das bandas?
Por acaso há dias estava a ver que já tenho uma valente colecção de items, desde Comme Restus, Kalashnikov, Noidz, Felattio, Goreganta Funda, Quinteto Explosivo, Orfeu Rebelde, sempre com adereços novos, é divertido! Faço sempre escolhas cirúrgicas em termos de indumentária, sou um gajo simples e afável.
Por mais que não faltes a nenhum sufrágio na tua vida, nunca serás tão politicamente activo quanto nos teus tempos de Homens da Luta?
Apesar de não ser um gajo da política, acho que tudo é política, e acaba por se tornar. Não estou a falar de partidos. Eu não me identifico com organizações partidárias, nem com os partidos de esquerda, nem direita, nem centro, de facto mataram o país TODOS nos últimos 40 anos, e acho que antes era pior... No entanto, claro que Homens da Luta ganhou um “tamanho” político grande. Algo que começou como um sketch de TV, tornou-se num movimento mais forte que muitos partidos e com muita influência nas pessoas. E claro, estive envolvido do 1º ao último segundo de corpo e alma de camisola vestida. Muitas horas de trabalho, todas do mundo, muito amor, muitas pessoas boas pelo caminho, muitas ao contrário, muita coisa vista, vivida, mudada, transformada, o melhor e o pior, mas MUITO orgulho no trabalho feito e na obra. Confesso-me no entanto desiludido com o terminar da “viagem”, mas as coisas são como são, o modo não foi o que eu sonhava, mas nunca é, há uma coisa chamada realidade que é sempre um pouco diferente do que esperamos. Eu estou constantemente em “luta” ora na minha página de Facebook “Bocage2.0”, ora na vida pessoal, estou sempre a apanhar políticos, a fazer sketchs, divirto-me por falta de juízo e por achar que alguém tem que fazer este trabalho. Acho Homens da Luta mais anarca do que “politizado” como o tradicional, fazíamos o que queríamos, sempre, contra tudo e contra todos, à nossa maneira, sem nos comprometer-mos (muito) com organizações, sem apoios, sem “luvas”, sem patrocínios, com uma equipa fantástica que cresceu ao longo dos anos. Tenho orgulho no que fiz!
Últimos comentários:
Não há droga!
Bandas no seu currículo:
Quinteto Explosivo, Homens da Luta, Comme Restus, Kalashnikov, Noidz, Goreganta Funda, Infernal Overkill, Nephtys, Orfeu Rebelde, Bio Genetic Sun, Felattio, Horrível, Ethereal, Naitsirhc, Shades of Grey, Corpus Christii, Moonspell, Holocausto Canibal
Quem é Jorge Caldeira? Então, lembram-se do "Jogo da Mala" com António Sala na Rádio Renascença? Pois, não tem nada a ver! Jorge Caldeira é mais parecido com um Júlio Isidro do Heavy Metal, tantas foram as bandas que já passaram por ele. Ele é radialista há 30 anos a emitir desde a Margem Sul programas de rádio onde passa 100% de música portuguesa (desde o rock ao heavy metal). Jorge Caldeira apoia mais a música portuguesa numa emissão do que o Ministério da Cultura numa década.
Aqui fica a entrevista para o conhecerem melhor.
Quando estavas a começar, qual o radialista que mais te influenciou? John Peel? António Sérgio? Jorge Perestrelo?
Gostava de ouvir o António Sérgio, sem dúvida um dos nomes grandes e inesquecíveis da rádio. Mas o Rui Pêgo... acho que foi a minha principal referência.
Trabalhaste muitos anos numa rádio de Palmela e depois mudaste para uma em Pinhal Novo, também em Palmela. Em que outra freguesia de Palmela te vês a trabalhar daqui a 10 anos?
Muitos anos na Pal FM (hoje, rádio do grupo SIM). Foram 13 anos, de 1990 a 2003. Gosto do número 13! Na Pal FM fui colega da Ana Arroja (Rádio Comercial) e de Lídia Cristo (Antena 1).
Antes, estive no Rádio Clube da Moita, na Moita, onde trabalhei como pivot de programação e jornalista.
Trabalhei com Vanda Miranda (Rádio Comercial) - a Vanda começou como repórter de exteriores e só mais tarde como animadora - e outras gentes que hoje são vozes conhecidas na rádio e que também passaram pela célebre Super FM.
A POPULARFM é uma rádio do Montijo. Tem os estúdios no Pinhal Novo, Palmela. Apesar de ser uma frequência da cidade mais limpa do país (porque todos os dias se matam porcos!), nasceu na vila do Pinhal Novo e aí se localizou até hoje. Por isso está associada a Palmela...
Mas o meu início foi mesmo na rádio da Escola Secundária da Moita, das 12h30 às 14h30, às terças e às quintas. Só com bandas nacionais. Era amadorismo puro, mas com muita paixão. Isto em 1985. Em 1986 fui para o Rádio Clube da Moita e em 1990 para a Pal FM. De 2003 a 2006 estive no repouso e regressei nesse ano a convite de Inga Oliveira (Rádio Amália), com quem tinha trabalhado também no Rádio Clube da Moita e que na altura era coordenadora na POPULARFM.
Daqui a 10 anos... se a POPULARFM ainda existir, será aí a minha residência radiofónica. Porque não?
Com certeza que recebeste milhares de demo-tapes de bandas muito inexperientes a pedirem divulgação na rádio. Quantos copos de vinho é que tiveste de beber para arranjar coragem para passar essas demos na rádio?
Como não aprecio vinho, a não ser do bom, e as demo-tapes não eram compatíveis, nem suficientemente generosas como um bom licor (que aprecio bastante, principalmente anis!), tinha a vantagem de passar esses inesquecíveis registos magnéticos da seguinte forma: passava o dedo pela língua e depois nas fitas (as cassetes de ferro eram as que tinham pior sabor). Assim, as fitas deslizavam mais depressa no leitor de cassetes, o que disfarçava tudo. As malhas eram mais rápidas e o som tinha mais brilho, melhorando a sua qualidade. Portanto, todas essas demos têm as minhas impressões digitais. Talvez por isso dissessem na altura que eu já tinha dedo para a rádio. Como diz o provérbio: "Enquanto houver língua e dedo, não há demo-tape que meta medo!". Era preciso mesmo coragem! Um gajo tinha de meter o dedo em todas...
Tendo em conta que já entrevistaste centenas de bandas, algumas com registos sonoros de qualidade duvidosa como “rehearsal tapes”, por exemplo, podemos ver-te como o Daniel Oliveira do metal, mas da baixa definição?
Quem é o Daniel Oliveira?
Mas a baixa definição era o que dava mais tesão! Imagina ouvires cenas com qualidade brutal e, de repente, pelo meio um som de qualidade duvidosa? De certeza que vais fixar essa cena porque é diferente.
Quem é o Daniel Oliveira?
É como teres uma gaja toda produzida. Depois de lhe tirares os artificiais todos, vais ver que fica igual às outras. E aí vais querer a baixa definição; ou seja, ficar por baixo.
Quem é o Daniel Oliveira?
Para muitas bandas, a primeira vez que estiveram num estúdio de rádio para uma entrevista foi num dos teus programas. Foi difícil mantê-los quietos? Chegaste alguma vez a sentir que estavas num jardim de infância?
Eh pá!, há coisas que não esqueço! Imagina uma banda de black metal aparecer-me como se fosse para um concerto? E eu a dizer-lhes: "Então, isto é rádio, não é televisão." É verdade, houve muita gente que deu a sua primeira entrevista em rádio comigo. Mas como não preparo as entrevistas, a malta vai conversando e divagando. Mas há uma coisa curiosa: é que a dificuldade, nalguns casos, não era mantê-los quietos, mas sim pô-los a mexer (não sei se me faço entender).
O que achas que existia nos anos 80 que faz falta nos dias de hoje, e em sentido contrário, o que achas que existe hoje mas que não faz falta nenhuma, seja lá em que ano for?
Conhecimento. Nos anos 1980 havia mais conhecimento sobre tudo porque a malta interessava-se pelas coisas e convivia mais. Discutia-se tudo. Trocava-se ideias e opinava-se sobre qualquer assunto. Às vezes mal, mas o importante era ter uma opinião pessoal. Pensar.
Hoje, ignorância. É uma praga cerebral. A malta não consegue pensar por si, formar ideias... agarra-se ao computador - que apesar de ser uma excelente ferramenta de trabalho, tem de ser bem usado - e devora todo o lixo que encontra. E porquê? Porque tem falta de raciocínio para filtrar o que é importante. A ignorância, hoje, como em qualquer outra altura, é prescindível. Não faz falta nenhuma. Mas as políticas para o ensino em Portugal (e noutros países) são propositadas nesse sentido. Quanto maior a ignorância, mais facilmente se domam gerações!
Se fosses radialista no pré-25 de Abril, que música de Heavy Metal escolherias para servir de senha à revolução?
"Smoke on The Water" (Deep Purple) ou "Paranoid" (Black Sabbath), mas como tinha de ser algo nacional, certamente teria escolhido "A Guerra de 1908", de Raul Solnado, de 1962. Porquê? Porque é perfeitamente adequado ao que se passou no 25 de abril de 1974. E a malta ainda hoje se riria com aquele que foi o maior humorista português. Basta olhar para trás e recordar o que aconteceu e o que aconteceu desde então. Só de imaginar o Solnado todos os anos no 25 de abril a ser recordado com o seu humor caraterístico perfeitamente enquadrado nos tempos atuais... seria hilariante!!! É uma pena as pessoas não saberem lidar com a liberdade e aproveitar o que a Democracia tem de bom.
Tens saudades de usar cassetes audio na emissão?
Só não uso porque não existe um leitor de cassetes. Assim como o vinil. Não há pratos em estúdio. Hoje em dia a malta só trabalha com PCs e "coisas" que passam música no formato digital, o que detesto. Continuo a trabalhar com suportes físicos, mas limitado ao CD. 99% do que passo é em CD. Raramente passo algo no formato digital. Só quando não há alternativa. Por isso, tenho saudades das cassetes e do vinil. O gosto em passar-lhes o dedinho... o som quente, orgânico, mais encorpado... enfim, imagina o que é teres uma mulher no formato digital e uma mulher no formato físico? E acho que elas pensam o mesmo...
Max Cavalera disse há pouco tempo que não gosta de tomar banho. Posto isto, o que preferias? Entrevistar o Max num estúdio fechado, em pleno pico do verão, e logo após ter dado um concerto ou passares uma tarde inteira de domingo a ver o “Portugal em Festa”?
Pergunta difícil... Primeiro porque o Max Cavalera dava uma boa entrevista, com cheirinho. Segundo porque o Portugal em Festa tem umas imagens muito interessantes... paisagísticas, gastronómicas, anatómicas... Bom, ficava-me pelo Max Cavalera porque era uma oportunidade única.
Passas várias horas na rádio todos os Domingos à noite. Para além de bifanas e coiratos, qual a tua alimentação nesse período enquanto trabalhas?
Acertaste!!! Bifanas e coiratos. E uma mini preta. Está feito!
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O programa tem algumas caraterísticas interessantes:
1º Chama-se Catedral do Rock (Ut Praesset Nocti) em homenagem à mais carismática sala de concertos lisboeta: Rock Rendez-Vous. Ut Praesset Nocti foi acrescentado para distinguir esta catedral de tantas outras...
2º É um programa de autor e com liberdade de expressão, sem preconceitos e censura, mas respeitando os limites da liberdade, no qual pretende-se criar um espaço que resulte numa simbiose musical rock/metal, em que o seu verdadeiro espírito esteja encarnado e respire sem apreensão.
3º O programa divide-se em 2 horas: 1ª O Rock Puro e Duro; 2ª O Metal de Portugal. A 2ª hora, O Metal de Portugal, é única em Portugal porque não existe (e julgo que nunca existiu, com exceção do V Império, também da minha autoria na Pal FM) uma hora de rádio apenas dedicada ao género só com bandas nacionais;
4º É aos domingos à noite, das 22h00 às 24h00 (em 90.9 FM para o distrito de Setúbal e Grande Lisboa e em www.popularfm.com), pelo facto de nesses dias e a essa hora os músicos raramente tocarem ou ensaiarem e terem mais disponibilidade para as entrevistas; o mesmo acontecendo com os ouvintes porque segunda de manhã é dia de trabalho ou de escola. E como a POPULARFM é uma rádio específica que só divulga música portuguesa ou de expressão portuguesa (pimba, pimba), sabe tão bem chegar ao 7º dia e fazer uma desintoxicação musical;
5º A POPULARFM fica mesmo ao pé do cemitério velho do Pinhal Novo. Portanto, um sítio tranquilo com o ambiente naturalmente perfeito para um programa do género;
6º A seguir à Catedral do Rock (e ao Metal de Portugal) vem um programa religioso noite dentro da autoria da IURD. Eu costumo dizer: "Haja Deus! Alguém que pague isto!".
E por detrás de uma moita apareceram este grupo de rapazes de nome Switchtense que fazem com que muita gente saia dos concertos com nódoas negras e o pescoço dorido.
Recentemente lançaram o DVD "10 unbreakable years" que contém um concerto ao vivo, videoclips e até um documentário onde poderão saber como é que eles se aturam durante tanto tempo.
Os Switchtense são um dos nomes mais sólidos do nosso underground. Mais sólidos ainda que aqueles bancos que apregoavam ser e depois foi-se a ver...
Segue a conversa com a banda.
No vosso site oficial, as últimas notícias publicadas datam de 2013, sendo o Facebook o meio pelo qual a banda dá as novidades mais fresquinhas. De facto, o meio por onde se publicita muda com os tempos. Tencionam a seguir usar o quê para publicar novidades? Periscope, drones, Tinder?
Depois de muito analisarmos essa temática e visto que cada vez mais publicar algo no Facebook, que tenha likes sem pagar parece uma tarefa impossível, sem dúvida alguma que vamos começar a divulgar as novidades através de sinais de fumo.
Temos vasta experiência nessa área e como é obvio temos que aproveitar os anos e anos de investimento em tal “instrumento” que pode ser usado como meio de comunicação.
Sendo vocês da Moita, em concerto, como é que se apresentam ao público? "Boa noite, pessoal! Nós somos o Grupo de Forcados Amadores Switchtense?"
Por nossa vontade, se tivéssemos dinheiro, comprávamos a Praça de Toiros da Moita, pintávamos de preto e fazíamos uma Arena do Rock…Podes ver a nossa ligação a essa prática!
Olhando para trás, de todos os nomes que chegaram a ponderar dar à banda, qual aquele que agora vos faz rir mais?
Temos memória de peixe e não fazemos a mínima ideia de que outros nomes existiam como alternativa ao que escolhemos. Switchtense foi o que na altura nos soava melhor. Procuramos na internet para saber se já existia alguma banda com esse nome e como não havia ficamos com ele. Anos mais tarde viemos a descobrir uma banda búlgara com esse nome..,mas já não existia! Onde é que conheceram a modelo que posou para a capa do vosso álbum "Switchtense"?
Epá, isso é uma questão que nunca nos fizeram e que finalmente alguém teve coragem de fazer.
Na verdade essa cara é a cara do Neto depois de beber 5 litros de vinho e vomitar de manha. Também não queríamos acreditar quando vi porque pensávamos que era o Pardal.
O vosso dvd chama-se "10 unbreakable years" (10 anos inquebráveis). Tendo em conta a frequência com que tocam ao vivo e os altos decibéis que debitam, não seria mais lógico ser "10 unbreakable ears" (10 ouvidos inquebráveis)?
Por acaso até pensámos nesse nome, mas como além de 5 elementos na banda, e visto esse registo ter sido feito ao vivo, existe um técnico de som que por acaso também tem as 2 orelhas e é mais um elemento importante no nossos concertos, já não deu para meter esse nome.
Além do mais agora com aquele estrilho do puto dos Ídolos tudo o que meta orelhas é melhor a malta não brincar.
Se pudessem fazer exigências extravagantes para tocar num festival, sem limites, o que pediriam?
Um cachet que não fosse mais baixo que o ordenado mínimo nacional!
De todas as bandas nacionais e internacionais com que já tocaram, qual a coisa mais bizarra que já viram ao vivo? Os Napalm Death a tocar músicas de três segundos?
Assim de repente… Os Watain cheios de sangue de porco a cheirar mal. O cheiro sentia-se a uns bons metros do palco!
Adaptando uma questão cliché aos tempos que correm, quais os últimos CDs que compraramsacaram? Já ninguém saca compra música. Isso é coisa do século passado.
Hoje em dia está tudo em streaming…Ainda agora estive a ouvir o Lights Camera Revolution de Suicidal Tendencies apesar de ter ali o cd na estante!
Os últimos cds que comprei foi o novo dos Web e o de Faith no More para oferecer.
Questão para o António e Neto – como é fazer headbanging sem cabelo? Em comparação com os restantes elementos da banda, têm de abanar a cabeça com mais força ainda para se notar alguma coisa?
Na verdade somos todos carecas. O Karia e o Pardal usam peruca!
Se os Switchtense acabassem porque um dos elementos da banda andava a roubar dinheiro aos restantes, e mais tarde voltassem, chamar-se-iam Switchtense à mesma ou Novo Switchtense?
Qual dinheiro?????
Últimos comentários:
Obrigado pelo convite para participarmos nesta entrevista.
Pedimos desculpa pela demora nas respostas mas tivemos que esperar
que nos arranjassem a drive das disquetes do computador…Sim, temos um computador bem lento.
Em contrapartida estamos a preparar o nosso 3º disco que deve sair depois do Verão…e isso já vai ser bem rápido. Fiquem atentos aos sinais de fumo!
Uma das bandas mais antigas do verdadeiro hard'n'heavy deste país e que ainda está no activo são os IBERIA. Começaram em 1984 com o nome Asgarth, talvez por serem originários de uma terra cheia de lendas e batalhas, que é a Baixa da Banheira e foi em 1986 que mudaram o nome para IBERIA.
Donos de muitos feitos, entre eles a honra de serem a 1ª banda portuguesa com airplay na BBC, foi com um enorme orgulho que entrevistámos os lendários IBERIA! Não há palavras que possam expressar a nossa alegria, até porque, como podem comprovar, o nosso entrevistado, o baixista João Sérgio, roubou-nos todas.
Qual o nome mais adequado para uma
compilação com as melhores músicas de IBERIA? "Best of"
ou "A gastar dinheiro desde 87"?
Os “Ena Pá 2000” têm um álbum
ao vivo que se chama “20 anos a pedalar na bosta”. Nós
estamos a pensar gravar um triplo ao vivo quando fizermos 30 anos
(estamos com 28) chamado “Boicotados pelo Sistema” onde vamos
regravar todos os clássicos em versão punkcore. Ao fim de 28 anos
(e apesar das interrupções) só mesmo com grande amor à camisola e
grande amor ao Rock é que poderiamos continuar a gastar dinheiro em
Salas de Ensaio, Estúdios, gravações, guitarras, baterias, cordas,
baquetes, equipamento, gasóleo e em prendas para os fans. Mas estou
a montar um esquema tipo Cobrador do Fraque para irmos recuperar
todos os calotes que nos têm feito ao longo deste tempo. Pelos meus
cálculos e com juros, quando fizermos os 30 anos estaremos ricos,
finalmente e aí vão ver como é que elas lhes mordem! Senão
metem-se umas garinas a render em Coina para arranjar guito!
Tendo a banda sido criada nos anos
80, quem vos deu a conhecer ao mundo? O Júlio Isidro?
Poderia ter sido, mas eu acho que
foram os programas infantis onde nos meteram a tocar o “Hollywood”
na RTP, porque não havia mais sitio nenhum para aparecer na altura.
Curioso é que passados 28 anos, continuam a não haver programas
para promover o Rock/metal condignamente na TV. Mas o Júlio estava lá
atento, assim como o Carlos Ribeiro, o Luis Pereira de Sousa, o Raul
Durão e a malta do Natal dos Hospitais. A Teresa Guilherme apareceu
depois, mas conseguimos fugir dela antes que nos jogasse a mão e nos
chamasse um figo.
Mas, a sério, a sério houveram três senhores
que tiveram muita importância na divulgação dos Iberia a nivel
nacional: António Sérgio (Lança Chamas), Luis Filipe Barros (Rock
em Stock) e o Pita (Luso Clube). E temos um leque de grandes senhores
da rádio que nunca deixaram de nos apoiar ainda hoje através dos
seus programas de autor (de Metal e Música Moderna Portuguesa), como
o Filipe Marta do SOS-Antena Minho Braga, o António Freitas (Antena
3), o Pedro Brinca da Radio Azul/TSF, o Jorge Caldeira do V Império,
o Carlos Santos do Templo do Rock, a malta do Fogo no Gelo, Circulo
de Fogo, Santos da Casa e tantos tantos outros (é um ultraje não os
meter aqui todos, mas eles sabem bem quem são e o que fizeram por
nós). Também havia uma coisa chamada Fanzines que por incrível que
pareça eram o principal veiculo de divulgação das bandas e do
Metal em geral, e graças a eles estivemos sempre na mó de cima. O
HMZP, O Templo do Som Eterno, O Ultimo Massacre, Napalm, Metal
Invaders, tantas, tantas! Tinhamos até uma nossa do Iberia Fun Club
que surgiu da Devastação Metálica dos nossos amigos Luis Batista e
João Moura e que se tornou no nosso veiculo oficial na altura. Sem
telemóveis, sem e-mails, sem internet, sem MP3 (a bela K7 enviada
pelo correio e o telefonema combinado com uma semana de antecedência
para a entrevista). Vão bugiar, a malta sofreu uma beca para as
cenas estarem assim hoje, pá. Bons tempos, Bom espírito. Mas ainda
bem que evoluiu. Respeitem isso, então.. e aproveitem o que muitos
não puderam ter e o que ficou por fazer devido a isso. Um grande bem
haja a todos.
Tocaram no Rock Rendez-Vous,
apareceram em jornais como o Êxito e o Se7e, assinaram com a
Discossete, foram a primeira banda portuguesa a passar na BBC
Radio... Quão velhos vocês se sentem?
Taxonomicamente falando estamos perto
dos grandes Saurópodes, mas comemos carne, não temos Vegans na
banda (e ainda bem, não tem piada andar na estrada, pararmos num
sitio para comer, só haver Mac’s (ou coisa pior)) e depois termos 2
ou 3 elementos à fome. Esta malta come bem e bebe melhor, há que
ter energias para ir pro palco, caramba! Somos a prova de que os
dinossáurios não estão extintos e que continuamos a querer
espalhar o terror pelas florestas urbanas que aparecerem pela frente
e é por isso que estamos empenhados em mandar novo trabalho cá para
fora. Modéstia à parte, vai ser um dos melhores discos de rock que
já se fizeram neste rectângulo. Sem modéstias algumas direi que
vai ser mesmo o melhor que já se fez. Pelo menos o melhor que já se
fez na Baixa da Banheira (o que já não é mau). Agora os
admiradores que esperem e os haters que se deitem à sombra que é lá
que estão bem. Aliás, os tais que dizem que não fazemos rock e que éramos um bando de maricas, são os que passados 28 anos nunca
fizeram nada na vida a não ser estarem sentados a ver as caravanas a
passar e a masturbar-se sozinhos, enquanto bebem cerveja choca. ;)
Acreditam que os vossos filhos a
determinada altura acabarão por vos substituir na banda, tipo
aqueles negócios de família que vão passando de geração em
geração?
Está em curso uma fundação Ibérica
(tipo Camorra, Máfia mesmo..) para a continuação da espécie. Já
temos o meu irmão mais novo na bateria (era um “puto” quando ia
assistir aos ensaios nos anos 80/90) e estamos a tentar que as outras
crias comecem a tocar qualquer coisa, nem que seja ferrinhos ou
pandeireta. Não era de todo descabido, já que há por ai tanta
gente a “cantar” e a “tocar” sem o saber, não se notava
assim tanto a diferença. Mas esta máfia está organizada e só lá
entra quem provar que consegue mesmo tocar algum instrumento. O que
nos interessa no fundo é que cresçam saudáveis, felizes e sejam
grandes seres humanos. Se forem ou não músicos, o tempo (e as suas
vontades) o dirão. (Mas o meu puto dava um grande front man, pá).
É impossível não falar sobre a
capa do vosso 1º álbum... Aquilo é Intimissimi, Calzedonia ou
Tezenis?
Tu não percebes. Vocês não
percebem. Ninguém percebeu. Aquilo foi uma espécie de evento “Baixa
da Banheira meets Picheleira” numa sessão fotográfica feita ás 7
pancadas porque a sede de meter o álbum cá fora era tão grande e
com o sucesso do “Hollywood” (cuja capa também tem umas nuances
no mesmo estilo, um pouco mais “estelar”) a bombar por toda a
parte, acho que a editora pensou a dado momento que a capa seria o
menos importante. Foi do género: “Metam lá a fronha desses
marmanjos na capa e siga pra bingo, que já estamos atrasados!”. As
roupas eram um misto do que conseguíamos resgatar às namoradas e às
amigas e o que conseguíamos fanar nas lojas metaleiras. Depois ficava
aquele estilo muito peculiar. É lixado ter de olhar para ela
passados 27 anos, mas tenho de reconhecer que foi dali que saíram
grandes temas, que a banda ficou conhecida a nivel nacional e que nos
tornou a primeira banda de Rock/Metal Portuguesa a passar na BBC-1
(no saudoso “The Friday Rock Show” do malogrado Tommy Vance). E
foi dali desse primeiro álbum que saíram os primeiros temas
“malditos/proibidos”da RR, o que muito nos orgulhou na altura
(uns putos com 18/19 anos verem os seus temas proibidos pela maior
emissora nacional na época era motivo de orgulho, pá, quem não o
quereria? Era rebeldia, queriam o quê?). Mandares um tema para a
radio nacional com o nome de “Sex Gun” ou “Fuck The Teacher”
em pleno anos 80, em Portugal, quase que dava direito à fogueira
inquisitória e a arrancarem-nos as unhas dos pés! Ainda assim e
muito chamuscados, passámos incólumes e estamos cá todos vivos.
Perdoou-se o mal que soube à vista pelo bem que fez aos Iberia.
"The Sailing Way to India",
"Hollywood", "Mexico", "China Girl".
Estas músicas falam sobre as vossas viagens ou sobre locais onde
vocês entraram para comer?
Já te disse que a malta adora comer.
Assim sendo não nos choca se for Indiano, Mexicano, Chinês, Sushi,
uns hamburguers, umas pastas, cozido à portuguesa, tripas à moda do
Porto, Migas com entrecosto, whatever. Desde que regadas por um bom
vinho (ou muita cerveja), marcha tudo! São temas que a certa altura
tiveram a sua nomenclatura pelas mais diversas razões:
“The
Sailing Way To India” (o instrumental, que era para não o ser de
inicio) é um tema que conjuga um tema inicial – nunca vocalizado -
com o instrumental “Iberia” (aqui aglomerado). “Conta” uma
viagem épica dos descobrimentos, um episódio da nossa história que
tem tudo a ver com IBERIA (também ele - o nome - derivado da nossa
identidade ibérica/histórica). Vai ter seguimento num “The
Sailing Back From India” e prometemos que vamos fazer nova rota
gastronómica pelas costas do Indico e do Atlântico, no regresso a
Lisboa. Mais spicy, portanto..
“Hollywood” por motivos óbvios,
basta ler a letra simplista do que queríamos fazer: Conquistar o
mundo (a malta acredita de facto aos 18 anos que é possível! E nós
fizemos tudo o que conseguimos para isso, na altura), ser uma estrela
da música, singrar no mainstream. Não é isso que todas as bandas
querem? Digam lá a verdade e deixem-se de purismos falsos e de
chavões bafientos de que “ah e tal, eu para mim quero é estar
underground, o estrelato é para os maricas, os falsos, etc”. Se
fosse por isso ficava tudo a tocar na garagem para os amigos e a
familia. Os Iberia eram ambiciosos e sabíamos o que queríamos. Foi o
nosso “I wanna be somebody”, com toda a legitimidade. E apesar da
dura realidade, ainda o queremos..
“México” foi uma
“aberração” mas das boas: O Landum tinha um riff muito
esgalhado que em principio seria para fazer um tema acerca da cena
mexicana, as mafias de droga, o ambiente caliente, las Chicas,
Tequilla, etc. No entanto o João Alex foi para a tropa na altura das
gravações do “Heroes” e deturpou aquilo tudo, metendo ali uma
espécie de juramento bandeira “alterado” em protesto pelo facto
de lá ter ido parar, que por curioso que pareça se tornou num icone
do movimento anti-serviço militar obrigatório (tão em voga no
final dos 80’s). A cena pegou, a malta adorou e ainda hoje muita
gente pede o México nos concertos (não o temos tocado, mas fizemos a
gracinha 20 anos depois num concerto - o ano passado - onde o João
Alex teve connosco em palco e a cantou). Os Iberia são assim: vem um
com uma ideia brilhante, chega outro dá um pontapé numa pedra e lá
vai disto: muda tudo. Ok..
“China Girl” é um instrumental que
o Toninho dedicou à sua mulher por causa dos seus olhos achinesados,
só isso mesmo. Não sei se ela lhe agradeceu ou não ainda hoje. A
filha nasceu pouco tempo depois, deve ter dado resultado..
A música "Tired (Leave Me
Alone)" é sobre o "peso da idade" ou é sobre outro
assunto?
Chegas aos 47 anos cansado desta
merda toda e com vontade de mandar fornicar meio mundo, dizer umas
verdades – que até sabes – e meter o dedo nas feridas dum
sistema corrupto musicalmente (o espelho dum país), lá isso é
verdade. Mas tirando o facto de por vezes já estarmos “fartos”
uns dos outros e de eu já não poder ouvir as mesmas anedotas do
Toninho ao fim de quase 30 anos, o propósito do “Tired” pode ser
encarado por dois prismas: aquele momento em que estás fartinho duma
fan que não te larga a berguilha e que não entende que o seu lugar
é “lá atrás” e o momento em que te revoltas a sério com o
sistema corrupto e nojento montado á tua volta, de onde só podes
sair se te venderes a ele ou continuares a lutar (quase
ingloriamente) contra ele, mesmo sabendo que passas a vida a levar no
toutiço. Eu aposto mais na segunda versão e é a que me dá mais
gozo pensar que foi esse o propósito da letra. Ao
fim ao cabo, Revolution, sempre. The Story of our lifes..
A banda já está na sua 8ª
formação. Não deve ter sido fácil lidar com tantas entradas e
saídas. É por isso que estás careca?
Nunca é fácil. Ou seja pelo cú ou
pelas calças, os elementos duma banda tendem a sair dela por vários
motivos: ou porque não aguentam a pedalada, ou porque casam e as
mulheres não os deixam continuar na música, ou porque se fartam de
tocar o mesmo (ou não tem ideias para mais), ou porque acham que não
vale a pena, ou porque tem egos maiores que eles e não sabem
trabalhar em banda, ou porque perderam o espírito da cena e preferem
ficam em frente à TV a ver a novela de pantufas, ou porque acham que
já não sabem tocar como dantes e tem uma midlife crisis, ou porque
não suportam que A tenha mais protagonismo que B (acontece muito e
nesses casos é fatal), ou porque deixaram de se identificar com a
identidade musical a seguir, ou porque acham que já não vale a pena
e que o rock está morto. Qualquer destas razões pode ser válida
para quem sai duma banda. Como em tudo na vida.
Depois temos é a
cena pessoal: ou continuas a dar-te com a banda e a apoiar os teus
ex-colegas ou cais fora e ficas um outsider. Nos Iberia, salvo rara
excepção, os ex-elementos funcionam como uma familia: estão
atentos à banda, apoiam-nos incondicionalmente, e ficam satisfeitos
(alguns com um misto de tristeza por já não estarem, o que é
natural e legitimo) quando a banda consegue algo de relevante, vão
aos concertos, estão LÁ connosco, o que é de louvar e prova que
aqui não há má onda e que quem aqui esteve teve todos os motivos
para considerar isto uma família (eu não disse que isto é uma
Camorra?).
Estou careca porque em 1996 rapei o cabelo de vez e
decidi nunca mais deixar crescer qualquer tufo capilar do pescoço
para cima; agora se eles crescessem, já estariam todos brancos sim
de tanta chatice que já tive com isto. Mas não me arrependo nem um
momento. Só me arrependo daquilo que não consegui fazer!
Arrependo-me de não ter dado umas pêras no focinho de algumas
pessoas, por exemplo. E de não ter bazado daqui enquando era tempo e tínhamos tudo na mão. Poderia estar tudo muito diferente. Mas a vida
é assim, who knows? Poderia até estar pior de mão estendida (como
infelizmente alguns colegas músicos se encontram hoje), fruto duma
ausência de politica de apoio à cultura num país secular. Diz-se
que o modo como tratam a cultura é o espelho duma nação certo? Ora
aí está..
E trabalho, dedicação, disponibilidade.. Não é só
esperar que os outros o façam por nós.
(Mas continuo a dizer: a
culpa de eu estar careca é do Toninho!) :D
Sendo os IBERIA uma banda antiga
que luta pelo verdadeiro hard'n'heavy e pelo rock puro e duro, que
métodos de dor ou armas escolheriam para usar em alguém que vos
aconselhasse a usar auto-tune, sintetizadores e bateria electrónica?
Olha, podíamos começar por alguns
instrumentos medievais, por exemplo.. mas a sério, nós desde 88 já
usámos sintetizadores e até fizemos a blasfémia de tocar com
bateria electrónica no álbum Heroes (uma teimosia técnica que
arruinou a produção e a sonoridade do disco). Estamos sempre
receptivos a tudo o que seja tecnologia desde que seja para ajudar a
fazer um bom trabalho. Sabemos que quando a malta diz “ah, os Kiss
gravaram o último album só com a tecnologia analógica do “Hotter
than Hell”, aquilo é que é purismo!”. Tretas. Vais-me dizer que
o Paul e o Gene deixavam aquele album soar à 70’s again.
Utilizaram algumas máquinas, isso sim, mas a produção, as misturas
e a masterização vão-lhe dar o “peso” e a consistência que
existe hoje. Toda a gente usa a tecnologia hoje em dia. E alguns
abusam. Aliás: alguns sem ela não são nada..
Quanto ao auto
tune, a coisa pia fininho: não é necessário. Isto porquê? Porque
Iberia tem tido sempre vocalistas que sabem cantar e a prova é o
nosso Hugo Soares que dispensa o artefacto. Quem sabe, sabe, pá.
Agora retira-lhes lá (a alguns até ao vivo!) aquela treta e vais
ver a vergonha que sai. Fraudes. O mundo musical português (e não
só) está a viver de fraudes, salvo raras e honrosas excepções.
Produtos pré-fabricados, sem valor próprio, sem identidade, sem espírito, caixas vazias que são cheias por um qualquer produtor (os
mesmos de sempre ligado aos grandes grupos dos Media) com material de
encher o olho e pouco conteúdo e que fazem querer às pessoas que
“aquilo” é um óptimo artigo e que é “aquilo” que devem
comprar! E a malta cai na esparrela. E dispensa-se a qualidade. E
parece que ninguém se importa com isso. O que é mais grave.
Futebolisticamente falando, os corações dos Ibéria batem por quem? Pelo Barreirense, actual 1º classificado da Distrital de Setúbal, com mais 2 pontos que o 2º classificado, o Amora, ou pelo Banheirense que anda lá perdido pelo meio da tabela?
Ora bem, de
inicio a malta era toda do “Real”. Não o “Real Madrid”! Uma
colectividade que era o “Real” na Rua 27, onde nós vivíamos (os
originais membros). Mas havia malta que também era adepta do
Chinquilho, do Racing e dos Leais! Mas quando começámos a ensaiar no
Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira, o nosso coração
ficou irremediavelmente solidário por aquela gente! Depois o “Real”
fundiu-se com o “Racing” e com os “Leais” e deu origem á
União Banheirense e a malta ficou mais triste. Perdeu-se a mística,
pá. Já não dava luta ir ver os jogos e ver a malta a não chamar
nomes uns aos outros: eles agora estavam todos do mesmo lado! Que
piada é que aquilo tinha?? Ainda houve uns desertores para o
Barreirense, outro que torcia pelo “Foge se te agarro Futebol Clube
anda cá se podes peraí que já cospes”, e um até que torcia pelo
“Estrela Moitense” e pelo “Cri” (sempre o Toninho!).
Mas
se perguntares a sério a maioria é daquele glorioso clube que dá
pelo nome de Sport Lisboa E Benfica (eu, o Hugo e o Ricardo), sendo
os guitarristas (Jorge e Toninho) do Sporting. Engraçado: se formos
a ver os antigos integrantes, a maioria era mesmo do Benfica. (Luis
Filipe Vieira, mete os olhos nisto, pá! Chega-te à frente com o
patrocínio, que isto de andar a fazer publicidade à marca paga
direitos! Não há dinheiro, não há palhaço!!).
Últimos comentários:
A malta anda aí há 28 anos a fazer
rock e não pensem que se desiste facilmente das nossas convicções.
Brincadeiras à parte, a banda está na fase de pré-produção do
novo disco e apesar dos entraves e dificuldades com que nos temos
deparado (tem sido bastantes, daí o atraso visível) estamos aí,
vamos fazer um grande disco de rock pesado e vamos continuar a fazer
o que gostamos: gravar, tocar, curtir e rockar à grande e à
Portuguesa. Quem estiver connosco nesta viagem é sempre bem vindo,
há lugar para todos..
Seja até ao spot mais perto, seja até
Hollywood..
Grande abraço e todos, IBERIA ROCKS!!
Ele é Real Companhia dos Animais Banda, Real Companhia dos Animais Clube, foi Sérgio & Animais... Enfim. Se a tudo isto acrescentarmos uma Arca, podemos dizer que o Sérgio Duarte é o Fialho Gouveia do Metal!! E se a isto somarmos todas as bandas em que o Sérgio já tocou (desde The Coven, a Gang, re:aktor,etc), o peso que elas tiveram no underground nacional, ser o fundador do espaço para concertos RCA Club e o facto de estarem a preparar o 1º disco dos RCA, está dado o mote para esta entrevista.
Esta ideia que se tem dos metaleiros serem feios, porcos e maus, mete os donos dos bares em sentido quando não querem pagar?
Historicamente falando, Aristóteles dizia "que ninguém culpe um homem por ser feio", Napoleão dizia que "os homens são porcos que se alimentam de ouro" e Hobbes dizia que "o homem nasce mau". Tendo em conta esta questão associada apenas aos metaleiros, presumo então que estes bípedes de gosto musical refinado, são os verdadeiros nativos deste mundo de humanos, enquanto os "outros" não passam de tentativas frustradas de atingirem o estatuto de "homem". Por consequência se o dono de um bar for também ele metaleiro, teremos um confronto de titãs humanoides, que ao jeito de cabra montês, tem tudo para acabar a noite à cabeçada. O não pagamento de um cachet, faz desenrolar de imediato o trailer de "O bom, o mau e o vilão", inciando um combate visceral de contornos bárbaros onde a vontade supera o acto em si. Resumindo... qdo não querem pagar é uma merda! Dá vontade de lhes cagar à porta! Em sentido ficamos nós... tipo... ficamos sentidos!
Nota-se que és um adepto das tatuagens. Será que o cabelo rapado é já para preparar terreno para uma nova tatuagem?
Adepto sou sim senhor! Do Benfica!!! A cabeça rapada chegou a ser pensada para tatuar um cérebro e assim adicionar alguns neurónios artificiais numa linha de pensamento algo condicionada... Mas depois coloquei um boné e nunca mais me lembrei!
Sendo tu e o teu irmão músicos de metal, acreditamos que na cabeça dos vossos pais, pelo menos no início das vossas carreiras, lhes tenha surgido várias vezes a pergunta “MEU DEUS!!! ONDE É QUE FALHÁMOS?!?!?!” Neste momento, qual o ponto de situação?
Na cabeça dos meus Pais algo terá surgido sim. Para além de algumas rugas, provavelmente algum tipo de lesão associado ao envelhecimento ou simplesmente um chapéu ou um lencinho catita... ficam sempre bem na cabeça!
Os RCA sofreram a saída de 3 bateristas: em 2002, em 2003 e em 2006. Quantas cordas, correntes ou outro material usaram para amarrar o vosso actual baterista à cadeira para que não aconteça uma 4ª vez?
Com os anteriores distraimo-nos e eles fugiram do quintal. Este tem sido mais vigiado e raramente sai à rua, nem para fazer as necessidades. Só come ração apropriada ao seu tamanho (pequeno) e quando se porta bem dorme no chão da cozinha. Tentamos que mantenha uns bons dentes, dando-lhe um ou outro osso vitaminado para roer. Em relação ao baterista, o melhor é perguntar-lhe, pois não faço a mínima ideia porque ainda não bazou...
Quanto tempo do ensaio é que vocês passam realmente a ensaiar e a outra parte a beber?
Qual ensaio? Não sabemos o que é isso... Beber sabemos, e bem! Mas ensaiar é coisa que não nos assiste. A sério!
Os RCA são uma banda essencialmente de espectáculos ao vivo tendo tocado com muita regularidade, mas depois de Agosto vão ficar algum tempo sem tocar devido à preparação do vosso 1º registo. Conseguem aguentar a ressaca ou não vão aguentar e dia 2 de Setembro vão ter uma recaída?
Provavelmente não aguentaremos sem tocar ao vivo, mas faremos com outros projectos. Tipo, sim continuamos a f...r, mas só com amantes!
Os rumores de esta ser a capa do vosso 1º álbum, são verdade?
Quem sabe! Se não for a capa do álbum, pode muito bem ser um teaser para alguns... de nós! Hehehe! Talvez seja por isso que o baterista ainda não saiu da banda...
2006 ficou marcado pelo roubo do equipamento da banda. Agora que Sócrates está preso, sentes que foi feita justiça?
Justice was served!!!!! Mas só peca por faltar gente na choldra!!!! Ele sente-se só... O tio Mário bem podia lá ficar a fazer companhia. Ele até vai lá tantas vezes...
Qual a situação onde é mais difícil aturar bêbados? Sendo dono de um café-concerto e aturar os clientes bêbados, sendo artista de palco e aturar o público bêbado ou sendo membro de uma banda e aturar os outros elementos bêbados?
O mais difícil é ser bêbado e aturar os outros sóbrios!!!!! De resto é tudo pacífico! A malta é tudo familiar... primas, tias, cunhadas, enteadas, enfim!!!!!
O que distingue as vossas groupies das de outras bandas? Em vez de colares, usam cabos rca ao pescoço?
As nossas groupies são as melhores do mundo, pois são "Pitas com umas grandes tetas"!!!!!!!!!!!!
Últimos comentários:
A mensagem final... os RCA desejam a todos os que lerem esta entrevista, que voltem ao trabalho!!!! O vosso patrão não vos paga para andarem na internet a lerem estas merdas!!!! Se tiverem desempregados, arranjem um emprego!!!!!
Até à Próstata!!!!!
Ah! A beleza de Sintra! Quinta da Regaleira! Palácio da Pena! Campo de futebol de Albarraque… E é neste último que vai decorrer mais uma edição do Festival Hell in Sintra. A entrada é livre, tal como a leitura desta entrevista que fizemos aos organizadores, mas se puderem mandar alguma coisa, agradecemos. Ou acham que isto de ter um blog sobre metal põe pão em cima da mesa?!
Apesar do festival já existir desde 2010, ainda não conseguimos habituar-nos ao nome Hell in Sintra. Porque não, simplesmente, Linha de Sintra?
Boas! Desde já, estamos muito agradecidos pelo apoio e por esta entrevista. Acaba por ser essa a ideia. Numa altura em que existem muitos eventos, porque não criar um festival num local com muita história, paisagens fantásticas, e claro, não falando dos sítios onde se faz a matança do frango para rituais sangrentos e cheios de penas (Risos).
O festival tem entrada livre, ou seja, todo o tipo de pessoas pode e vai entrar. Se aparecer algum casal de velhinhos, avisam-nos do que vai acontecer ou deixam-nos descobrir por eles próprios?
É um bom ponto de vista mas já são 5 anos de festival, posso dizer que esse casal de velhinhos nesta próxima edição, já estão preparados e prontos para fazer uma dança russa enquanto ouvem Serrabulho.
Quando vos surgiu a ideia de fazer um festival de música com entrada livre, estavam sóbrios?
Posso dizer que a ideia do festival na altura foi minha e que realmente estávamos num estado bastante avançado de bebedeira.
Entretanto, passou para o papel a ideia e até fazia sentido. Acabámos no Bairro Alto a discutir esta ideia à porta do Toscin, eram 6 da manhã e estávamos no Cais de Sodré a falar em Iron Maiden tocar no festival.
Explicaram bem à equipa de limpeza em que é que se vão meter?
Sim! Foi tão bem explicado que eles fugiram e vai ser a malta da Arcadia Studios a fazer! Por isso, já sabem pessoal, não sujar muito sff..
A edição deste ano decorre no campo de futebol da Sociedade Recreativa de Albarraque. Se por lá aparecer uma equipa de reportagem da Liga dos Últimos, vocês deixam-nos filmar?
Não sem antes bebermos uns copos todos juntos (É para a Praxe). Mas a malta do festival é tudo menos da liga dos últimos, pessoal que trabalha um ano inteiro para que o festival aconteça e com muita força de vontade.
O resultado: 5 edições já realizadas, 6º edição a caminho, 5 transplantes de fígado, três dedos deslocados e um mamilo torcido. (Vida de Organizador é muito difícil!)
Como organizador de festivais, quantas vezes é que já pensaste: "Mas porque é que me meti nesta vida?"
Nunca! Acho que quando se faz algo com gosto e sucesso, as dúvidas desaparecem e 3 dias de festival aparecem. E mais um transplante de fígado se marca.
Sem querermos saber os cachets, sendo um festival gratuito, foi fácil convencer as bandas a tocar a troco de queijadas e travesseiros?
Pois! Nós ainda tentámos oferecer uns amendoins e um penalti de tinto a cada um, mas não facilitaram.
Bem, ao menos o comércio da região fica a ganhar. Mas sei que vem alguém do norte com uns Húngaros para fazer concorrência a esta malta dos castelos.
As bandas têm sido fáceis de aturar nestes eventos ou chegaste ao ponto de construir uma pequena sala com um saco de pancada para de vez em quando descarregar a raiva?
É malta do Ca#$&$! Existe um espirito carinho e afecto que no final do festival acabamos todos dentro de um carro a fazer caricias uns aos outros!
O Hell in Sintra conta com todo o tipo de apoios, desde a Câmara Municipal, revistas online, rádios e até restaurantes. Quando propuseram apoio, disseram o nome do festival e que ia ter nomes de bandas como: Bleeding Display e Advogado do Diabo, ou omitiram isso tudo?
Nada foi omitido, foi tudo transparente. Em alguns casos ainda tivemos de pagar uma sandes de presunto para os convencer a apoiar o festival. Chegámos a conseguir quase 50% de desconto nessa mesma sandes. Noutros casos, alugámos uma casa com 50 quartos na Quinta da Beloura e temos 4000 bases de bolo para enfeitar.
A Arcadia Studios que produz o evento, também realiza trabalhos de fotografia, gravação de álbuns, vídeo clips, agenciamento… Falem-nos mais sobre esta Bimby.
Sobre a ArcadiaStudios, estamos presentes na última geração de robots de cozinha mas de alta qualidade! É uma espécie de Cloud Bimby, onde se faz tudo para que o refugado fique com o seu sabor natural e que tenha semelhanças à cozinha tradicional da avózinha, que andou a fazer a dança Russa em Serrabulho.
Últimos comentários:
O Pessoal que apareça que vai ser um evento giro, organizado por gente bonita. A cerveja até dá para beber bem, é barata. Ao pessoal que tem medo dos transportes e que diz que não vai porque fica longe, isso é tudo tanga..
IC19 a fundo e apareçam. Venham fazer a festa com estas 27 bandas maravilhosas, e claro, domingo vamos acabar juntos num carro ou balneário a fazer caricias uns aos outros.
HELL IN SINTRA #SOMOSNÓS
O peso e o poder da música dos W.A.K.O. não deixa ninguém indiferente. Aliás, há até quem diga que aquelas réplicas no Nepal não tinham acontecido se a banda não estivesse a ensaiar àquela hora. Se a isto somarmos o facto de serem uma das bandas mas activas ao nível nacional, o Laughbanging tinha de ter uma conversa com estes We Are Killing Ourselves.
O guitarrista André Sobral foi o que se chegou à frente.
Em mais de dez anos de carreira, qual o momento mais alto em que tenham dito algo do género “Se morrermos agora, morremos felizes”, e o momento mais baixo, tão baixo que preferiam estar a distribuir a “Dica da Semana”?
Momento mais alto, Lap Dances para todos ao som do tema My Misery do nosso primeiro álbum. O momento mais baixo foi talvez na nossa última visita ao UK. Tínhamos chegado a Nottingham e estávamos radiantes por ter um chuveiro no backstage. Depois de celebrarmos tal facto recebemos a noticia de que a segunda parte da nossa tour tinha de ser cancelada e eram os cachets dessa mesma que iriam garantir a nossa viagem de regresso a Portugal. Passamos então a próxima hora a ligar para amigos e familiares a pedinchar. Não foi bonito mas cheiramos todos bem nesse dia.
Fora de Portugal, já actuaram em Espanha, Reino Unido e E.U.A. Qual de vocês tem mais dificuldade em andar de avião, qual Mr. T em W.A.K.O?
Não há Mr.T's na banda! Todos temos uns colhões gigantes logo ninguém tem medo de viagens aéreas. O que se passa é que muitas das vezes contam como bagagem de mão e nas companhias low cost não obedecem às medidas impostas, logo fica dispendioso tendo que pagar bagagem de porão. Optámos por essa razão ir mais vezes de carrinha. Devido ao poder da vossa música ao vivo, supomos que deve haver muitos "wall of death", "slamdancing" e "mosh". Por isso, pergunta-se: quantas cabeças já foram partidas nos vossos concertos?
Assim de momento só me lembro apenas de uma cabeça partida. Foi a do nosso amigo, técnico de som e baixista suplente Pedro Manteigas. Reza a história contada pelo nosso vocalista Nuno Rodrigues, que o Manteigas ao atirar-se para cima do publico falhou em acertar na área que continha qualquer tipo de público, e ao acertar com a cabeça no chão, espirrou bastante sangue para poder atingir as pessoas mais próximas. Ficou comprovado pelo estado da t-shirt do Tomás, um outro nosso amigo que estava no público. Passado umas horas e uma viagem de ambulância depois, o Manteigas já estava a fumar um cigarro e o Tomás tinha uma t-shirt nova de WAKO.
Têm um tema chamado "Extispicium". Contam em fazer mais músicas sobre um medicamento de farmácia ou foi só essa?
Não contamos fazer mais, essa foi a única e última colaboração que fizemos com o Infarmed.
Vocês são patrocinados por marcas como Dean Guitars e DDrum. Também aceitariam se fosse pela marca de bateria Powerbeat e por essa instituição dos teclados que é a Bontempi?
Em WAKO gostamos de nos considerar todos músicos maduros e experientes, capazes de fazer musica e de nos sentirmos inspirados com qualquer tipo de instrumentos, sempre a seguir o "verdadeirismo" da intelectualidade musical. Dito isto, desde que ofereçam 5% de desconto e a garantia de aparecermos no artist roster da pagina deles tudo bem.
Se "We Are Killing Ourselves" fosse um filme ou programa de televisão, como seria?
Acho que seria uma espécie de programa da manhã, em que o André (guitarrista) seria o apresentador e os únicos convidados seriam os elementos da banda. Sem qualquer conteúdo, mas com a possibilidade de ganhar uma grande quantia de dinheiro em cartão. Todo o dinheiro iria reverter à associação WAKO para fins filantrópicos como o financiamento do próximo álbum.
Qual de vocês é que chega sempre atrasado ao ensaio?
Sem dúvida o Johnny, o nosso guitarrista. Depende sempre um bocado de quantas áreas de serviço existem do ponto A ao ponto B.
Na fotografia, Carlos Costa, ex-Ídolos. Um comentário:
Força Carlos! Eras para nós o claro vencedor da edição de 2009. Continua com o fogo que tens dentro de ti, és um orgulho nacional!
Um dos pratos mais famosos da vossa terra, Almeirim, é a bela da Sopa da Pedra. É disso que se trata o tema "The Shape of Perfection".
Sim, é uma analogia sobre o casamento gastronômico entre a Sopa da Pedra e a Caralhota.
Como é que se têm estado a safar no Tinder?
Não sei o que é o Tinder mas entretanto fui ver. Ah nice, até é uma cena fixe! Acho que quando esta entrevista for publicada já vamos todos ter uma conta.