18 maio, 2015

Laughbanging entrevista IBERIA

Uma das bandas mais antigas do verdadeiro hard'n'heavy deste país e que ainda está no activo são os IBERIA. Começaram em 1984 com o nome Asgarth, talvez por serem originários de uma terra cheia de lendas e batalhas, que é a Baixa da Banheira e foi em 1986 que mudaram o nome para IBERIA. Donos de muitos feitos, entre eles a honra de serem a 1ª banda portuguesa com airplay na BBC, foi com um enorme orgulho que entrevistámos os lendários IBERIA! Não há palavras que possam expressar a nossa alegria, até porque, como podem comprovar, o nosso entrevistado, o baixista João Sérgio, roubou-nos todas.


 Qual o nome mais adequado para uma compilação com as melhores músicas de IBERIA? "Best of" ou "A gastar dinheiro desde 87"?
Os “Ena Pá 2000” têm um álbum ao vivo que se chama “20 anos a pedalar na bosta”. Nós estamos a pensar gravar um triplo ao vivo quando fizermos 30 anos (estamos com 28) chamado “Boicotados pelo Sistema” onde vamos regravar todos os clássicos em versão punkcore. Ao fim de 28 anos (e apesar das interrupções) só mesmo com grande amor à camisola e grande amor ao Rock é que poderiamos continuar a gastar dinheiro em Salas de Ensaio, Estúdios, gravações, guitarras, baterias, cordas, baquetes, equipamento, gasóleo e em prendas para os fans. Mas estou a montar um esquema tipo Cobrador do Fraque para irmos recuperar todos os calotes que nos têm feito ao longo deste tempo. Pelos meus cálculos e com juros, quando fizermos os 30 anos estaremos ricos, finalmente e aí vão ver como é que elas lhes mordem! Senão metem-se umas garinas a render em Coina para arranjar guito!

Tendo a banda sido criada nos anos 80, quem vos deu a conhecer ao mundo? O Júlio Isidro?
Poderia ter sido, mas eu acho que foram os programas infantis onde nos meteram a tocar o “Hollywood” na RTP, porque não havia mais sitio nenhum para aparecer na altura. Curioso é que passados 28 anos, continuam a não haver programas para promover o Rock/metal condignamente na TV. Mas o Júlio estava lá atento, assim como o Carlos Ribeiro, o Luis Pereira de Sousa, o Raul Durão e a malta do Natal dos Hospitais. A Teresa Guilherme apareceu depois, mas conseguimos fugir dela antes que nos jogasse a mão e nos chamasse um figo.
Mas, a sério, a sério houveram três senhores que tiveram muita importância na divulgação dos Iberia a nivel nacional: António Sérgio (Lança Chamas), Luis Filipe Barros (Rock em Stock) e o Pita (Luso Clube). E temos um leque de grandes senhores da rádio que nunca deixaram de nos apoiar ainda hoje através dos seus programas de autor (de Metal e Música Moderna Portuguesa), como o Filipe Marta do SOS-Antena Minho Braga, o António Freitas (Antena 3), o Pedro Brinca da Radio Azul/TSF, o Jorge Caldeira do V Império, o Carlos Santos do Templo do Rock, a malta do Fogo no Gelo, Circulo de Fogo, Santos da Casa e tantos tantos outros (é um ultraje não os meter aqui todos, mas eles sabem bem quem são e o que fizeram por nós). Também havia uma coisa chamada Fanzines que por incrível que pareça eram o principal veiculo de divulgação das bandas e do Metal em geral, e graças a eles estivemos sempre na mó de cima. O HMZP, O Templo do Som Eterno, O Ultimo Massacre, Napalm, Metal Invaders, tantas, tantas! Tinhamos até uma nossa do Iberia Fun Club que surgiu da Devastação Metálica dos nossos amigos Luis Batista e João Moura e que se tornou no nosso veiculo oficial na altura. Sem telemóveis, sem e-mails, sem internet, sem MP3 (a bela K7 enviada pelo correio e o telefonema combinado com uma semana de antecedência para a entrevista). Vão bugiar, a malta sofreu uma beca para as cenas estarem assim hoje, pá. Bons tempos, Bom espírito. Mas ainda bem que evoluiu. Respeitem isso, então.. e aproveitem o que muitos não puderam ter e o que ficou por fazer devido a isso. Um grande bem haja a todos.

Tocaram no Rock Rendez-Vous, apareceram em jornais como o Êxito e o Se7e, assinaram com a Discossete, foram a primeira banda portuguesa a passar na BBC Radio... Quão velhos vocês se sentem?
Taxonomicamente falando estamos perto dos grandes Saurópodes, mas comemos carne, não temos Vegans na banda (e ainda bem, não tem piada andar na estrada, pararmos num sitio para comer, só haver Mac’s (ou coisa pior)) e depois termos 2 ou 3 elementos à fome. Esta malta come bem e bebe melhor, há que ter energias para ir pro palco, caramba! Somos a prova de que os dinossáurios não estão extintos e que continuamos a querer espalhar o terror pelas florestas urbanas que aparecerem pela frente e é por isso que estamos empenhados em mandar novo trabalho cá para fora. Modéstia à parte, vai ser um dos melhores discos de rock que já se fizeram neste rectângulo. Sem modéstias algumas direi que vai ser mesmo o melhor que já se fez. Pelo menos o melhor que já se fez na Baixa da Banheira (o que já não é mau). Agora os admiradores que esperem e os haters que se deitem à sombra que é lá que estão bem. Aliás, os tais que dizem que não fazemos rock e que éramos um bando de maricas, são os que passados 28 anos nunca fizeram nada na vida a não ser estarem sentados a ver as caravanas a passar e a masturbar-se sozinhos, enquanto bebem cerveja choca. ;)

Acreditam que os vossos filhos a determinada altura acabarão por vos substituir na banda, tipo aqueles negócios de família que vão passando de geração em geração?
Está em curso uma fundação Ibérica (tipo Camorra, Máfia mesmo..) para a continuação da espécie. Já temos o meu irmão mais novo na bateria (era um “puto” quando ia assistir aos ensaios nos anos 80/90) e estamos a tentar que as outras crias comecem a tocar qualquer coisa, nem que seja ferrinhos ou pandeireta. Não era de todo descabido, já que há por ai tanta gente a “cantar” e a “tocar” sem o saber, não se notava assim tanto a diferença. Mas esta máfia está organizada e só lá entra quem provar que consegue mesmo tocar algum instrumento. O que nos interessa no fundo é que cresçam saudáveis, felizes e sejam grandes seres humanos. Se forem ou não músicos, o tempo (e as suas vontades) o dirão. (Mas o meu puto dava um grande front man, pá).

É impossível não falar sobre a capa do vosso 1º álbum... Aquilo é Intimissimi, Calzedonia ou Tezenis?
Tu não percebes. Vocês não percebem. Ninguém percebeu. Aquilo foi uma espécie de evento “Baixa da Banheira meets Picheleira” numa sessão fotográfica feita ás 7 pancadas porque a sede de meter o álbum cá fora era tão grande e com o sucesso do “Hollywood” (cuja capa também tem umas nuances no mesmo estilo, um pouco mais “estelar”) a bombar por toda a parte, acho que a editora pensou a dado momento que a capa seria o menos importante. Foi do género: “Metam lá a fronha desses marmanjos na capa e siga pra bingo, que já estamos atrasados!”. As roupas eram um misto do que conseguíamos resgatar às namoradas e às amigas e o que conseguíamos fanar nas lojas metaleiras. Depois ficava aquele estilo muito peculiar. É lixado ter de olhar para ela passados 27 anos, mas tenho de reconhecer que foi dali que saíram grandes temas, que a banda ficou conhecida a nivel nacional e que nos tornou a primeira banda de Rock/Metal Portuguesa a passar na BBC-1 (no saudoso “The Friday Rock Show” do malogrado Tommy Vance). E foi dali desse primeiro álbum que saíram os primeiros temas “malditos/proibidos”da RR, o que muito nos orgulhou na altura (uns putos com 18/19 anos verem os seus temas proibidos pela maior emissora nacional na época era motivo de orgulho, pá, quem não o quereria? Era rebeldia, queriam o quê?). Mandares um tema para a radio nacional com o nome de “Sex Gun” ou “Fuck The Teacher” em pleno anos 80, em Portugal, quase que dava direito à fogueira inquisitória e a arrancarem-nos as unhas dos pés! Ainda assim e muito chamuscados, passámos incólumes e estamos cá todos vivos. Perdoou-se o mal que soube à vista pelo bem que fez aos Iberia.

"The Sailing Way to India", "Hollywood", "Mexico", "China Girl". Estas músicas falam sobre as vossas viagens ou sobre locais onde vocês entraram para comer?
Já te disse que a malta adora comer. Assim sendo não nos choca se for Indiano, Mexicano, Chinês, Sushi, uns hamburguers, umas pastas, cozido à portuguesa, tripas à moda do Porto, Migas com entrecosto, whatever. Desde que regadas por um bom vinho (ou muita cerveja), marcha tudo! São temas que a certa altura tiveram a sua nomenclatura pelas mais diversas razões:
“The Sailing Way To India” (o instrumental, que era para não o ser de inicio) é um tema que conjuga um tema inicial – nunca vocalizado - com o instrumental “Iberia” (aqui aglomerado). “Conta” uma viagem épica dos descobrimentos, um episódio da nossa história que tem tudo a ver com IBERIA (também ele - o nome - derivado da nossa identidade ibérica/histórica). Vai ter seguimento num “The Sailing Back From India” e prometemos que vamos fazer nova rota gastronómica pelas costas do Indico e do Atlântico, no regresso a Lisboa. Mais spicy, portanto..
“Hollywood” por motivos óbvios, basta ler a letra simplista do que queríamos fazer: Conquistar o mundo (a malta acredita de facto aos 18 anos que é possível! E nós fizemos tudo o que conseguimos para isso, na altura), ser uma estrela da música, singrar no mainstream. Não é isso que todas as bandas querem? Digam lá a verdade e deixem-se de purismos falsos e de chavões bafientos de que “ah e tal, eu para mim quero é estar underground, o estrelato é para os maricas, os falsos, etc”. Se fosse por isso ficava tudo a tocar na garagem para os amigos e a familia. Os Iberia eram ambiciosos e sabíamos o que queríamos. Foi o nosso “I wanna be somebody”, com toda a legitimidade. E apesar da dura realidade, ainda o queremos..
“México” foi uma “aberração” mas das boas: O Landum tinha um riff muito esgalhado que em principio seria para fazer um tema acerca da cena mexicana, as mafias de droga, o ambiente caliente, las Chicas, Tequilla, etc. No entanto o João Alex foi para a tropa na altura das gravações do “Heroes” e deturpou aquilo tudo, metendo ali uma espécie de juramento bandeira “alterado” em protesto pelo facto de lá ter ido parar, que por curioso que pareça se tornou num icone do movimento anti-serviço militar obrigatório (tão em voga no final dos 80’s). A cena pegou, a malta adorou e ainda hoje muita gente pede o México nos concertos (não o temos tocado, mas fizemos a gracinha 20 anos depois num concerto - o ano passado - onde o João Alex teve connosco em palco e a cantou). Os Iberia são assim: vem um com uma ideia brilhante, chega outro dá um pontapé numa pedra e lá vai disto: muda tudo. Ok..
“China Girl” é um instrumental que o Toninho dedicou à sua mulher por causa dos seus olhos achinesados, só isso mesmo. Não sei se ela lhe agradeceu ou não ainda hoje. A filha nasceu pouco tempo depois, deve ter dado resultado..

A música "Tired (Leave Me Alone)" é sobre o "peso da idade" ou é sobre outro assunto?
Chegas aos 47 anos cansado desta merda toda e com vontade de mandar fornicar meio mundo, dizer umas verdades – que até sabes – e meter o dedo nas feridas dum sistema corrupto musicalmente (o espelho dum país), lá isso é verdade. Mas tirando o facto de por vezes já estarmos “fartos” uns dos outros e de eu já não poder ouvir as mesmas anedotas do Toninho ao fim de quase 30 anos, o propósito do “Tired” pode ser encarado por dois prismas: aquele momento em que estás fartinho duma fan que não te larga a berguilha e que não entende que o seu lugar é “lá atrás” e o momento em que te revoltas a sério com o sistema corrupto e nojento montado á tua volta, de onde só podes sair se te venderes a ele ou continuares a lutar (quase ingloriamente) contra ele, mesmo sabendo que passas a vida a levar no toutiço. Eu aposto mais na segunda versão e é a que me dá mais gozo pensar que foi esse o propósito da letra. Ao fim ao cabo, Revolution, sempre. The Story of our lifes..

A banda já está na sua 8ª formação. Não deve ter sido fácil lidar com tantas entradas e saídas. É por isso que estás careca?
Nunca é fácil. Ou seja pelo cú ou pelas calças, os elementos duma banda tendem a sair dela por vários motivos: ou porque não aguentam a pedalada, ou porque casam e as mulheres não os deixam continuar na música, ou porque se fartam de tocar o mesmo (ou não tem ideias para mais), ou porque acham que não vale a pena, ou porque tem egos maiores que eles e não sabem trabalhar em banda, ou porque perderam o espírito da cena e preferem ficam em frente à TV a ver a novela de pantufas, ou porque acham que já não sabem tocar como dantes e tem uma midlife crisis, ou porque não suportam que A tenha mais protagonismo que B (acontece muito e nesses casos é fatal), ou porque deixaram de se identificar com a identidade musical a seguir, ou porque acham que já não vale a pena e que o rock está morto. Qualquer destas razões pode ser válida para quem sai duma banda. Como em tudo na vida.
Depois temos é a cena pessoal: ou continuas a dar-te com a banda e a apoiar os teus ex-colegas ou cais fora e ficas um outsider. Nos Iberia, salvo rara excepção, os ex-elementos funcionam como uma familia: estão atentos à banda, apoiam-nos incondicionalmente, e ficam satisfeitos (alguns com um misto de tristeza por já não estarem, o que é natural e legitimo) quando a banda consegue algo de relevante, vão aos concertos, estão LÁ connosco, o que é de louvar e prova que aqui não há má onda e que quem aqui esteve teve todos os motivos para considerar isto uma família (eu não disse que isto é uma Camorra?).

Estou careca porque em 1996 rapei o cabelo de vez e decidi nunca mais deixar crescer qualquer tufo capilar do pescoço para cima; agora se eles crescessem, já estariam todos brancos sim de tanta chatice que já tive com isto. Mas não me arrependo nem um momento. Só me arrependo daquilo que não consegui fazer! Arrependo-me de não ter dado umas pêras no focinho de algumas pessoas, por exemplo. E de não ter bazado daqui enquando era tempo e tínhamos tudo na mão. Poderia estar tudo muito diferente. Mas a vida é assim, who knows? Poderia até estar pior de mão estendida (como infelizmente alguns colegas músicos se encontram hoje), fruto duma ausência de politica de apoio à cultura num país secular. Diz-se que o modo como tratam a cultura é o espelho duma nação certo? Ora aí está..
E trabalho, dedicação, disponibilidade.. Não é só esperar que os outros o façam por nós.
(Mas continuo a dizer: a culpa de eu estar careca é do Toninho!) :D

Sendo os IBERIA uma banda antiga que luta pelo verdadeiro hard'n'heavy e pelo rock puro e duro, que métodos de dor ou armas escolheriam para usar em alguém que vos aconselhasse a usar auto-tune, sintetizadores e bateria electrónica?
Olha, podíamos começar por alguns instrumentos medievais, por exemplo.. mas a sério, nós desde 88 já usámos sintetizadores e até fizemos a blasfémia de tocar com bateria electrónica no álbum Heroes (uma teimosia técnica que arruinou a produção e a sonoridade do disco). Estamos sempre receptivos a tudo o que seja tecnologia desde que seja para ajudar a fazer um bom trabalho. Sabemos que quando a malta diz “ah, os Kiss gravaram o último album só com a tecnologia analógica do “Hotter than Hell”, aquilo é que é purismo!”. Tretas. Vais-me dizer que o Paul e o Gene deixavam aquele album soar à 70’s again. Utilizaram algumas máquinas, isso sim, mas a produção, as misturas e a masterização vão-lhe dar o “peso” e a consistência que existe hoje. Toda a gente usa a tecnologia hoje em dia. E alguns abusam. Aliás: alguns sem ela não são nada..
Quanto ao auto tune, a coisa pia fininho: não é necessário. Isto porquê? Porque Iberia tem tido sempre vocalistas que sabem cantar e a prova é o nosso Hugo Soares que dispensa o artefacto. Quem sabe, sabe, pá. Agora retira-lhes lá (a alguns até ao vivo!) aquela treta e vais ver a vergonha que sai. Fraudes. O mundo musical português (e não só) está a viver de fraudes, salvo raras e honrosas excepções. Produtos pré-fabricados, sem valor próprio, sem identidade, sem espírito, caixas vazias que são cheias por um qualquer produtor (os mesmos de sempre ligado aos grandes grupos dos Media) com material de encher o olho e pouco conteúdo e que fazem querer às pessoas que “aquilo” é um óptimo artigo e que é “aquilo” que devem comprar! E a malta cai na esparrela. E dispensa-se a qualidade. E parece que ninguém se importa com isso. O que é mais grave.

Futebolisticamente falando, os corações dos Ibéria batem por quem? Pelo Barreirense, actual 1º classificado da Distrital de Setúbal, com mais 2 pontos que o 2º classificado, o Amora, ou pelo Banheirense que anda lá perdido pelo meio da tabela?
Ora bem, de inicio a malta era toda do “Real”. Não o “Real Madrid”! Uma colectividade que era o “Real” na Rua 27, onde nós vivíamos (os originais membros). Mas havia malta que também era adepta do Chinquilho, do Racing e dos Leais! Mas quando começámos a ensaiar no Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira, o nosso coração ficou irremediavelmente solidário por aquela gente! Depois o “Real” fundiu-se com o “Racing” e com os “Leais” e deu origem á União Banheirense e a malta ficou mais triste. Perdeu-se a mística, pá. Já não dava luta ir ver os jogos e ver a malta a não chamar nomes uns aos outros: eles agora estavam todos do mesmo lado! Que piada é que aquilo tinha?? Ainda houve uns desertores para o Barreirense, outro que torcia pelo “Foge se te agarro Futebol Clube anda cá se podes peraí que já cospes”, e um até que torcia pelo “Estrela Moitense” e pelo “Cri” (sempre o Toninho!).
Mas se perguntares a sério a maioria é daquele glorioso clube que dá pelo nome de Sport Lisboa E Benfica (eu, o Hugo e o Ricardo), sendo os guitarristas (Jorge e Toninho) do Sporting. Engraçado: se formos a ver os antigos integrantes, a maioria era mesmo do Benfica. (Luis Filipe Vieira, mete os olhos nisto, pá! Chega-te à frente com o patrocínio, que isto de andar a fazer publicidade à marca paga direitos! Não há dinheiro, não há palhaço!!).

Últimos comentários:
A malta anda aí há 28 anos a fazer rock e não pensem que se desiste facilmente das nossas convicções. Brincadeiras à parte, a banda está na fase de pré-produção do novo disco e apesar dos entraves e dificuldades com que nos temos deparado (tem sido bastantes, daí o atraso visível) estamos aí, vamos fazer um grande disco de rock pesado e vamos continuar a fazer o que gostamos: gravar, tocar, curtir e rockar à grande e à Portuguesa. Quem estiver connosco nesta viagem é sempre bem vindo, há lugar para todos..
Seja até ao spot mais perto, seja até Hollywood..
Grande abraço e todos, IBERIA ROCKS!!


Género:
Hard-Rock/Heavy Metal

Line-up:
Hugo Soares - Voz
Jorge Sousa - Guitarra
Toninho - Guitarra
João Sérgio - Baixo
Rick Reis - Bateria

Discografia:
1987 - Demo '87 (demo)
1988 - Hollywood (single)
1988 - Ibéria
1988 - Ibéria / Samurai / Vasco da Gama (split)
1990 - Heroes of the Wasteland
1993 - Promo Split Tape (split)
1994 - Promo '94 (demo)
1995 - Maqueta 95 (demo)

12 maio, 2015

Laughbanging entrevista Sérgio Duarte

Ele é Real Companhia dos Animais Banda, Real Companhia dos Animais Clube, foi Sérgio & Animais... Enfim. Se a tudo isto acrescentarmos uma Arca, podemos dizer que o Sérgio Duarte é o Fialho Gouveia do Metal!! E se a isto somarmos todas as bandas em que o Sérgio já tocou (desde The Coven, a Gang, re:aktor,etc), o peso que elas tiveram no underground nacional, ser o fundador do espaço para concertos RCA Club e o facto de estarem a preparar o 1º disco dos RCA, está dado o mote para esta entrevista.


Esta ideia que se tem dos metaleiros serem feios, porcos e maus, mete os donos dos bares em sentido quando não querem pagar?
Historicamente falando, Aristóteles dizia "que ninguém culpe um homem por ser feio", Napoleão dizia que "os homens são porcos que se alimentam de ouro" e Hobbes dizia que "o homem nasce mau". Tendo em conta esta questão associada apenas aos metaleiros, presumo então que estes bípedes de gosto musical refinado, são os verdadeiros nativos deste mundo de humanos, enquanto os "outros" não passam de tentativas frustradas de atingirem o estatuto de "homem". Por consequência se o dono de um bar for também ele metaleiro, teremos um confronto de titãs humanoides, que ao jeito de cabra montês, tem tudo para acabar a noite à cabeçada. O não pagamento de um cachet, faz desenrolar de imediato o trailer de "O bom, o mau e o vilão", inciando um combate visceral de contornos bárbaros onde a vontade supera o acto em si. Resumindo... qdo não querem pagar é uma merda! Dá vontade de lhes cagar à porta! Em sentido ficamos nós... tipo... ficamos sentidos!

Nota-se que és um adepto das tatuagens. Será que o cabelo rapado é já para preparar terreno para uma nova tatuagem?
Adepto sou sim senhor! Do Benfica!!! A cabeça rapada chegou a ser pensada para tatuar um cérebro e assim adicionar alguns neurónios artificiais numa linha de pensamento algo condicionada... Mas depois coloquei um boné e nunca mais me lembrei!

Sendo tu e o teu irmão músicos de metal, acreditamos que na cabeça dos vossos pais, pelo menos no início das vossas carreiras, lhes tenha surgido várias vezes a pergunta “MEU DEUS!!! ONDE É QUE FALHÁMOS?!?!?!” Neste momento, qual o ponto de situação?
Na cabeça dos meus Pais algo terá surgido sim. Para além de algumas rugas, provavelmente algum tipo de lesão associado ao envelhecimento ou simplesmente um chapéu ou um lencinho catita... ficam sempre bem na cabeça!

Os RCA sofreram a saída de 3 bateristas: em 2002, em 2003 e em 2006. Quantas cordas, correntes ou outro material usaram para amarrar o vosso actual baterista à cadeira para que não aconteça uma 4ª vez?
Com os anteriores distraimo-nos e eles fugiram do quintal. Este tem sido mais vigiado e raramente sai à rua, nem para fazer as necessidades. Só come ração apropriada ao seu tamanho (pequeno) e quando se porta bem dorme no chão da cozinha. Tentamos que mantenha uns bons dentes, dando-lhe um ou outro osso vitaminado para roer. Em relação ao baterista, o melhor é perguntar-lhe, pois não faço a mínima ideia porque ainda não bazou...

Quanto tempo do ensaio é que vocês passam realmente a ensaiar e a outra parte a beber?
Qual ensaio? Não sabemos o que é isso... Beber sabemos, e bem! Mas ensaiar é coisa que não nos assiste. A sério!

Os RCA são uma banda essencialmente de espectáculos ao vivo tendo tocado com muita regularidade, mas depois de Agosto vão ficar algum tempo sem tocar devido à preparação do vosso 1º registo. Conseguem aguentar a ressaca ou não vão aguentar e dia 2 de Setembro vão ter uma recaída?
Provavelmente não aguentaremos sem tocar ao vivo, mas faremos com outros projectos. Tipo, sim continuamos a f...r, mas só com amantes!

Os rumores de esta ser a capa do vosso 1º álbum, são verdade?

Quem sabe! Se não for a capa do álbum, pode muito bem ser um teaser para alguns... de nós! Hehehe! Talvez seja por isso que o baterista ainda não saiu da banda...

2006 ficou marcado pelo roubo do equipamento da banda. Agora que Sócrates está preso, sentes que foi feita justiça?
Justice was served!!!!! Mas só peca por faltar gente na choldra!!!! Ele sente-se só... O tio Mário bem podia lá ficar a fazer companhia. Ele até vai lá tantas vezes...

Qual a situação onde é mais difícil aturar bêbados? Sendo dono de um café-concerto e aturar os clientes bêbados, sendo artista de palco e aturar o público bêbado ou sendo membro de uma banda e aturar os outros elementos bêbados?
O mais difícil é ser bêbado e aturar os outros sóbrios!!!!! De resto é tudo pacífico! A malta é tudo familiar... primas, tias, cunhadas, enteadas, enfim!!!!!

O que distingue as vossas groupies das de outras bandas? Em vez de colares, usam cabos rca ao pescoço?
As nossas groupies são as melhores do mundo, pois são "Pitas com umas grandes tetas"!!!!!!!!!!!!

Últimos comentários:
A mensagem final... os RCA desejam a todos os que lerem esta entrevista, que voltem ao trabalho!!!! O vosso patrão não vos paga para andarem na internet a lerem estas merdas!!!! Se tiverem desempregados, arranjem um emprego!!!!!
Até à Próstata!!!!!


Bandas no seu currículo:
RCA, Sérgio & Animais, Gang, The Coven, Re:aktor

Outros projectos:
Fundador do RCA Club (Lisboa)

Páginas oficiais:

05 maio, 2015

Laughbanging entrevista Festival Hell in Sintra

Ah! A beleza de Sintra! Quinta da Regaleira! Palácio da Pena! Campo de futebol de Albarraque… E é neste último que vai decorrer mais uma edição do Festival Hell in Sintra. A entrada é livre, tal como a leitura desta entrevista que fizemos aos organizadores, mas se puderem mandar alguma coisa, agradecemos. Ou acham que isto de ter um blog sobre metal põe pão em cima da mesa?!



Apesar do festival já existir desde 2010, ainda não conseguimos habituar-nos ao nome Hell in Sintra. Porque não, simplesmente, Linha de Sintra?

Boas! Desde já, estamos muito agradecidos pelo apoio e por esta entrevista. Acaba por ser essa a ideia. Numa altura em que existem muitos eventos, porque não criar um festival num local com muita história, paisagens fantásticas, e claro, não falando dos sítios onde se faz a matança do frango para rituais sangrentos e cheios de penas (Risos).

O festival tem entrada livre, ou seja, todo o tipo de pessoas pode e vai entrar. Se aparecer algum casal de velhinhos, avisam-nos do que vai acontecer ou deixam-nos descobrir por eles próprios?
É um bom ponto de vista mas já são 5 anos de festival, posso dizer que esse casal de velhinhos nesta próxima edição,  já estão preparados e prontos para fazer uma dança russa enquanto ouvem Serrabulho.

Quando vos surgiu a ideia de fazer um festival de música com entrada livre, estavam sóbrios?
Posso dizer que a ideia do festival na altura foi minha e que realmente estávamos num estado bastante avançado de bebedeira.
Entretanto, passou para o papel a ideia e até fazia sentido. Acabámos no Bairro Alto a discutir esta ideia à porta do Toscin, eram 6 da manhã e estávamos no Cais de Sodré a falar em Iron Maiden tocar no festival.

Explicaram bem à equipa de limpeza em que é que se vão meter?
Sim! Foi tão bem explicado que eles fugiram e vai ser a malta da Arcadia Studios a fazer! Por isso, já sabem pessoal, não sujar muito sff..

A edição deste ano decorre no campo de futebol da Sociedade Recreativa de Albarraque. Se por lá aparecer uma equipa de reportagem da Liga dos Últimos, vocês deixam-nos filmar?
Não sem antes bebermos uns copos todos juntos (É para a Praxe). Mas a malta do festival é tudo menos da liga dos últimos, pessoal que trabalha um ano inteiro para que o festival aconteça e com muita força de vontade.
O resultado: 5 edições já realizadas, 6º edição a caminho, 5 transplantes de fígado, três dedos deslocados e um mamilo torcido. (Vida de Organizador é muito difícil!)

Como organizador de festivais, quantas vezes é que já pensaste: "Mas porque é que me meti nesta vida?"
Nunca! Acho que quando se faz algo com gosto e sucesso, as dúvidas desaparecem e 3 dias de festival aparecem. E mais um transplante de fígado se marca.

Sem querermos saber os cachets, sendo um festival gratuito, foi fácil convencer as bandas a tocar a troco de queijadas e travesseiros?
Pois! Nós ainda tentámos oferecer uns amendoins e um penalti de tinto a cada um, mas não facilitaram.
Bem, ao menos o comércio da região fica a ganhar. Mas sei que vem alguém do norte com uns Húngaros para fazer concorrência a esta malta dos castelos.

As bandas têm sido fáceis de aturar nestes eventos ou chegaste ao ponto de construir uma pequena sala com um saco de pancada para de vez em quando descarregar a raiva?
É malta do Ca#$&$! Existe um espirito carinho e afecto que no final do festival acabamos todos dentro de um carro a fazer caricias uns aos outros!

O Hell in Sintra conta com todo o tipo de apoios, desde a Câmara Municipal, revistas online, rádios e até restaurantes. Quando propuseram apoio, disseram o nome do festival e que ia ter nomes de bandas como: Bleeding Display e Advogado do Diabo, ou omitiram isso tudo?
Nada foi omitido, foi tudo transparente. Em alguns casos ainda tivemos de pagar uma sandes de presunto para os convencer a apoiar o festival. Chegámos a conseguir quase 50% de desconto nessa mesma sandes. Noutros casos, alugámos uma casa com 50 quartos na Quinta da Beloura e temos 4000 bases de bolo para enfeitar.  

A Arcadia Studios que produz o evento, também realiza trabalhos de fotografia, gravação de álbuns, vídeo clips, agenciamento… Falem-nos mais sobre esta Bimby.
Sobre a ArcadiaStudios, estamos presentes na última geração de robots de cozinha mas de alta qualidade! É uma espécie de Cloud Bimby, onde se faz tudo para que o refugado fique com o seu sabor natural e que tenha semelhanças à cozinha tradicional da avózinha, que andou a fazer a dança Russa em Serrabulho.

Últimos comentários:
O Pessoal que apareça que vai ser um evento giro, organizado por gente bonita. A cerveja até dá para beber bem, é barata. Ao pessoal que tem medo dos transportes e que diz que não vai porque fica longe, isso é tudo tanga..
IC19 a fundo e apareçam. Venham fazer a festa com estas 27 bandas maravilhosas, e claro, domingo vamos acabar juntos num carro ou balneário a fazer caricias uns aos outros.
HELL IN SINTRA #SOMOSNÓS


Local:
Campo de Futebol de Albarraque

Data:
3-4-5 Julho

Outras informações:
Entrada livre
Campismo grátis

Páginas oficiais:
https://www.facebook.com/hellinsintra
https://www.facebook.com/arcadiastudios.net
http://hellinsintra.arcadiastudios.net/