14 setembro, 2015

Laughbanging entrevista Ivo Conceição

Comme Restus, Kalashnikov, Homens da Luta, Noidz... Ivo Conceição é o Jorge Mendes do metal! Ultimamente tem andado a aterrorizar Portugal de norte a sul com os Quinteto Explosivo, o que é só mais um motivo para libertarmos o Daniel Oliveira que há em nós e lhe perguntarmos o que dizem os seus olhos.
Aqui vai a conversa que tivemos com o jovem atarefado e multifacetado Ivo Conceição.


Começaste a estudar piano no Conservatório Regional de Setúbal ainda criança. Quão orgulhosos estão os teus professores ao verem o resultado do que alcançaste em termos de música, bandas e as temáticas abordadas por elas?
Sim, formei-me em piano e guitarra no Conservatório de Setúbal, mas a única razão para lá ter estado era a minha professora de piano, boa como o milho. Os meus professores sentem um orgulho extremo em mim, na altura (1999) lembro-me de ter chegado a uma aula de guitarra e tocar o “Ars Moriendi” de Mr Bungle e um professor me dizer: “O QUE É ESSA MERDA? NÃO SE TOCA ASSIM”. E foi aí que fiz um “click”, percebi que devia ter ficado no Vitória Futebol Clube à baliza, como estive. Hoje provavelmente estaria no Real Madrid, ou melhor.

Em 2009 começaste a estudar Marketing, Relações Públicas e Publicidade. Depois em 2010 criaste a banda Felattio. Há aqui alguma relação ou foi coincidência?
De facto essa foi a minha segunda licenciatura, numa altura em que conjugava cargo na Sony Music Entertainment Portugal e estava com Homens da Luta em simultâneo. Senti a necessidade de tirar duas licenciaturas para colmatar a do José Sócrates, agora alguém vai ter que tirar mais uma para colmatar a do Dr Miguel Relvas, e assim sucessivamente. Os Felattio são uma boa surpresa, provavelmente das bandas mais fixes que tive. É quase tudo cabeça do Renato Sousa (Ash is a Robot), um génio Sadino, tenho um orgulho extremo naquele disco, e por coincidência ainda há dias passou na SuperFM! Durante esta licenciatura, não tive esta experiência de Felattio, estava demasiado ocupado a dormir nas aulas e a comer no Mac da 2ª circular com o cheiro a gasolina de avião.

Em Gestão, diz-se que uma empresa atingiu o break-even quando os ganhos igualam os custos. Sendo tu músico, achas que ainda estarás vivo quando isso acontecer?
Eu sou muito organizadinho nessas coisas. Felizmente tenho a felicidade de ter o BEP sempre em dia, e mais, posso-me orgulhar e dizer que já vivi aka ganhei bastante dinheiro com a “música”, seja com as minhas bandas, seja a editar, seja a produzir videoclips, tv specials (Aurea, entre outros). Claro que há uma gestão cuidadosa, não sou o típico rockstar ou “artista”, eu não bebo álcool, não tomo drogas, mas faço o resto sim. Portanto poupo imenso dinheiro. Sou um betinho na realidade, um betinho punk que gosta de black metal! Tenho tido também a sorte de ter estado no sítio certo, na altura certa, à custa de muito trabalho, directas, esforço, extra miles todos os dias, de ter encontrado pessoas incríveis pelo caminho que me ajudaram a crescer, a trabalhar mais, a falhar, a ganhar, a tentar de novo. Bonito, hein?

Chegaste a aparecer num artigo do DN onde foste apelidado, entre outros jovens, de "Mente Brilhante na casa dos 20". De facto, arranjar um lugar como teclista nos Holocausto Canibal só pode ter vindo de uma mente brilhante. Há outros planos deste género no futuro?
Eles devem-se ter enganado, ou então a senhora gostava muito de mim... Mas é verdade, esse artigo saiu no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias, numa fase de trabalho intenso de 10 anos, com muita coisa feita, a ser feita e planeada. Vale o que vale, gajas não me trouxe, nem uma! A experiência de teclista em Holocausto Canibal, veio pelas influências de Bach e Mozart na banda. Eles devem tudo a mim, vão agora aos EUA e afins, tudo porque eu estive lá a fazer essas obras. Há planos claro, sempre, a malta é de mente aberta (felizmente) e eu sou um idiota, volta e meia fazemos algo, nem que seja gozar com fotos no Facebook (nossas) (deles).

Depois do clássico de Comme Restus “Morte aos Ciquelistas”, e atendendo à polémica que por aí anda, para quando um “Morte aos Taxistas”?
Se calhar os taxistas são boas pessoas, mas ao contrário. Eu sou mais adepto de faixas como “Cona-se”, “Cantiflas a cagar no deserto”, “Viva os jovens”, “Cavaco Silva”, “Come agora ou depois já não”, “Autoclismo”, e assim sucessivamente.

ISIS, Síria, Estado Islâmico… Consegues ver as notícias sem te lembrares de Kalashnikov?
Infelizmente, não. Kalashnikov (a banda) é das recordações mais queridas que guardo. Antes de haver Facebook, fizemos tanta coisa... Fomos aos EUA tocar, abrimos o Coliseu para Moonspell, abrimos para Rage Against the Machine no ALIVE, enchemos salas em LX, no país inteiro de norte a sul, fizemos o circuito das Queimas e Recepções aos desempregados (antes da praga DJ), e era mesmo um job a full-time com o “Vai Tudo Abaixo” para mim na altura, eu acumulava em Kalashnikov funções de guitarrista, booker, road-manager, comunicação web, entre outros. Kalashnikov é um sketch de televisão, uma sátira, muito boa, na altura pensava que “daqui a 10 anos, isto não faz sentido”, e faz cada vez mais... Enquanto espécie propagámo-nos e tal, mas falhámos redondamente, a vida humana vale menos que um litro de petróleo na maior parte do planeta. Ainda assim espero que Kalashnikov tenha alertado e divertido muita gente, como a mim o fez. Alertado no sentido de que há guerras em todo o planeta, AGORA.

As letras de Quinteto Explosivo são um tanto ou quanto polémicas, digamos assim. Isso já vos deu alguns problemas ou as pessoas até se identificam com as problemáticas levantadas nos temas “Queres Caralho, Vai ao Talho”, “Cona, Cona, Cona, Cona, Cona” ou “Goucha”?
Sim e não. Curtiram? Sim, porque quem gosta de nós, ama-nos. Quem não gosta, é por razões extra-música, pelos namorados terem posters nossos nas paredes do quarto e afins. Temos a felicidade de estar há 11 meses quase em tour em Portugal, a tocar por todo o lado, festivais, maiores salas das cidades, sempre cheios, a fazer um circuito rock, pop, metal, mix, tudo... Mas sim, já nos foram fechadas portas por causa das letras, o que à partida nós sabíamos, mas tenho a certeza absoluta que outras se abriram por causa das mesmas. O mundo é assim, é dos jovens.

Estar muito tempo vestido com aquele fato nos Quinteto Explosivo não deve ser fácil. Já alguma vez fizeste algo explosivo lá dentro mas tiveste de aguentar o seu aroma até ao fim do concerto?
O único inconveniente que os fatos têm, são as tentativas das milhares de fãs de tentarem abusar de nós sexualmente em todo o lado... Afinal, foi para isto que se fez o 25 de Abril.

Como se sente a tua companheira ao verificar que ocupas mais espaço no guarda-fatos com as tuas roupas das bandas?
Por acaso há dias estava a ver que já tenho uma valente colecção de items, desde Comme Restus, Kalashnikov, Noidz, Felattio, Goreganta Funda, Quinteto Explosivo, Orfeu Rebelde, sempre com adereços novos, é divertido! Faço sempre escolhas cirúrgicas em termos de indumentária, sou um gajo simples e afável.

Por mais que não faltes a nenhum sufrágio na tua vida, nunca serás tão politicamente activo quanto nos teus tempos de Homens da Luta?
Apesar de não ser um gajo da política, acho que tudo é política, e acaba por se tornar. Não estou a falar de partidos. Eu não me identifico com organizações partidárias, nem com os partidos de esquerda, nem direita, nem centro, de facto mataram o país TODOS nos últimos 40 anos, e acho que antes era pior... No entanto, claro que Homens da Luta ganhou um “tamanho” político grande. Algo que começou como um sketch de TV, tornou-se num movimento mais forte que muitos partidos e com muita influência nas pessoas. E claro, estive envolvido do 1º ao último segundo de corpo e alma de camisola vestida. Muitas horas de trabalho, todas do mundo, muito amor, muitas pessoas boas pelo caminho, muitas ao contrário, muita coisa vista, vivida, mudada, transformada, o melhor e o pior, mas MUITO orgulho no trabalho feito e na obra. Confesso-me no entanto desiludido com o terminar da “viagem”, mas as coisas são como são, o modo não foi o que eu sonhava, mas nunca é, há uma coisa chamada realidade que é sempre um pouco diferente do que esperamos. Eu estou constantemente em “luta” ora na minha página de Facebook “Bocage2.0”, ora na vida pessoal, estou sempre a apanhar políticos, a fazer sketchs, divirto-me por falta de juízo e por achar que alguém tem que fazer este trabalho. Acho Homens da Luta mais anarca do que “politizado” como o tradicional, fazíamos o que queríamos, sempre, contra tudo e contra todos, à nossa maneira, sem nos comprometer-mos (muito) com organizações, sem apoios, sem “luvas”, sem patrocínios, com uma equipa fantástica que cresceu ao longo dos anos. Tenho orgulho no que fiz!

Últimos comentários:
Não há droga!


Bandas no seu currículo:
Quinteto Explosivo, Homens da Luta, Comme Restus, Kalashnikov, Noidz, Goreganta Funda, Infernal Overkill, Nephtys, Orfeu Rebelde, Bio Genetic Sun, Felattio, Horrível, Ethereal, Naitsirhc, Shades of Grey, Corpus Christii, Moonspell, Holocausto Canibal

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2 comentários:

Edmundo Nunes disse...

hate over grown nao tocou.

Gustavo Vieira disse...

Ok. Está retirado. É que há vários sítios na internet que dizem que tocou.